Uma questão de direção
À frente de uma Casa Espírita ou de uma de suas reuniões, há quem treme na base, quem acha que já sabe tudo e quem busca os melhores caminhos para o momento vigente.
O terceiro grupo acerta mais, em vista de que cada tempo e cada situação requer uma atitude, uma decisão e um tipo de direção. Não há receitas ou modelos prontos.
Quando nos acomodamos com a forma já adquirida de dirigir pessoas e reuniões, caímos na rotina e numa oculta acomodação, representada pela manutenção de uma aparente igualdade entre o que já foi e o que é. Essa atitude impede a percepção do melhor para cada dia, momento e situação. Doutrinariamente, baseamo-nos na Lei Universal da Evolução ou Progressão dos Espíritos, na qual nos é ensinado que todos estamos, constantemente, progredindo, evoluindo, ou seja, saindo de um ponto e indo para outro, mesmo que haja um movimento imperceptível ou nos pareça que piorou.
Evoluir não significa, especificamente, melhorar, conforme entendemos que isso seja e sim, sair do lugar, movimentar. Claro que sempre as conseqüências resultantes acabam por serem boas, sejam quais forem, já que todas as experiências resultam em aprendizado, maturidade e discernimento.
Quando queremos imitar a forma de outra pessoa dirigir/coordenar, acabamos por agir como aquele que quer vestir uma roupa que não lhe serve, ou seja, nunca fica bem e à vontade.
Aprender com outras pessoas que já tenham alguma experiência é importante e nos abre soluções e alternativas. Mas isso não significa querer fazer tudo igualzinho. Observar, aprender e fazer do nosso jeito é o caminho mais eficiente. Doutrinariamente, baseamo-nos no fato de sermos indivíduos, ou seja, únicos. Jamais pessoas, por mais próximas, serão iguais e grupos de pessoas sempre formam um ser coletivo, cujas características e propriedades são as de seus componentes, como nos ensinou Kardec. Quer dizer, não há dois grupos iguais e por isso não há eficiência quando os tratamos como iguais...
Quando ficamos temerosos de nossa incompetência e de nossas dificuldades, acabamos por aumentá-las e abrir um fértil campo para as perturbações e interferências. O medo torna-se senhor de quem o possui.
Cautela não é medo, é apenas examinar melhor cada passo, para ir medindo os resultados e poder fazer os necessários ajustes de rota, no momento oportuno.
O medo limita, inibe e ofusca.
Aprender e ousar, observar e confiar, eis a atitude mais coerente para se ganhar experiências e aumentar a intuição. Aprender fazendo...
Doutrinariamente baseamo-nos na leis dos fluídos, que movidos e moldados pelos pensamentos, criam uma realidade oculta e predominante, fruto do pensar/sentir. Assim, cultivar o medo é envolver-nos em uma atmosfera pesada e negativa, que filtra toda nossa vida através de bloqueios e escuridão.
Quando alguém pensa que tudo sabe, que todas as reuniões de um tipo são iguais, que nada lhe é novo ou inusitado, e para tudo tem uma resposta, uma solução, antecipadamente conhecidas, certamente no revela estarmos ante um péssimo dirigente, pois que uma pessoa imatura, limitante e preconceituosa. Doutrinariamente baseamo-nos nos estudos de Kardec sobre a vaidade e o orgulho, que cegam a auto-observação e criam a ilusão da superioridade.
Quer ser um bom dirigente, ficando bem consigo e despertando a cooperação e o interesse participativo das pessoas? Então olhe-as como iguais, competentes e capazes de melhorar tudo o que você possa levar até elas, criando uma dinâmica de trocas e experiências recíprocas, que só eleva, fortalece e une. Na direção/coordenação, seja simples e firme, doce e prudente, ousado e observador, dialogue e explique, direcione e permita a participação e a criatividade. Mas tudo faça observando, examinando sem temor, com olhos de ver, computando as observações dos demais, trabalhando no campo intuitivo, com a percepção e a sensibilidade, sua e de seus companheiros.
Confie em si e confie na vida. Considere as interferências, mas não as coloque como pontos centrais e primeiros, pois assim fazendo, só lhes dá campo de ação. Na frente de tudo está o bem, a união em torno dos Princípios Espíritas, a valorização humana e a convivência sadia entre todos, encarnados e desencarnados. Fatores esses que minimizam e ajudam a ver essas interferências e infiltrações, sendo possível, portanto, agir na hora certa, abertamente e com consciência.
A arte de dirigir grupos espíritas requer um grande amor e um alto respeito pelo ser humano.
Amar-se para amar o outro. Considerar-se para considerar o outro. Respeitar-se para respeitar o outro. Ousar, para despertar a ousadia. Rir de seus equívocos, para criar a naturalidade. Viver cada dia como único e cada reunião como única, embora sequenciada na próxima.
Trabalhoso? Mas é o caminho que você escolheu e Deus não permite fardos pesados em ombros frágeis...
Lembre-se: O Livro dos Espíritos nos revela um mundo de coisas novas !
Cairbar e a TCI
Chegando setembro logo nos lembramos de Cairbar e de seu aniversário de nascimento, dia 22. Que grande espirita e que lição de vida! Repercutem ainda em nosso íntimo as passagens de sua vida e as suas formas de ser que pudemos saber através de livros, de pessoas e de visitas ao Clarim. Uma característica que se destaca é seu espírito inovador e destemido, levando a diante suas convicções, pesquisas e raciocínios, sempre zeloso pela comprovação das verdades espíritas. Por exemplo, Cairbar fotografava Espíritos! E hoje, anos após sua desencarnação, ainda estamos muito lerdos nessas experiências que afinal de contas, são no mínimo muito interessantes, para não falar no sentido pesquisador e experimentador que deveria permear toda nossa atividade espírita.
Assim pensando, veio-nos a idéia de que se Cairbar estivesse encarnado, estaria fazendo pesquisas em TCI -Transcomunicação Instrumental. Será que não? Será que o tino investigativo desse nosso mestre estaria alheio a essa possibilidade gigantesca de experimentar novas formas de comunicação com os Espíritos? Formas que também podem provar, sem deixar dúvidas, que vivemos cercados e em interinfluência com eles.
Ah! Certamente Cairbar ocuparia seu tempo com a TCI, não é Sonia Rinaldi?
Aliás, será que ele não está interessado nisso, em seu estado errático?
Ações e conseqüências
Rita Foelker
Há muitos séculos que os seres humanos encarnados na Terra pensam sobre a questão da responsabilidade, encontrando diversas explicações sobre como suas ações geram conseqüências boas ou ruins para si mesmos.
As consequências de nossos atos têm sido interpretadas e ensinadas por religiões e filosofias, de muitas formas. E como estudantes das leis da vida espiritual, a compreensão do que fazemos e do que acontece depois tornou-se um dos principais elementos presentes nas nossas escolhas.
No entanto, até que ponto compreendemos bem esta lei? Até que ponto temos sabido escolher, com base no conhecimento que já temos?
Muito tempo atrás, sacerdotes e pastores desenharam em nossa imaginação céus e infernos, de maneira a incentivar comportamentos que tivessem resultados melhores, do ponto de vista da vida futura. É claro que muitos se aproveitaram de nossa ingenuidade, tirando partido de nossos temores. Porém, ficou muito marcada para nós a idéia de que vamos receber nosso prêmio ou castigo depois, no além, quando se encerrar esta existência.
O remédio para os problemas da vida atual ficou sendo suportar, tolerar com o mínimo de reclamação, para não arriscar a "boa vida" após a morte.
E é comum pensarmos (inclusive os espíritas) unicamente em termos de futuro, como se o período da encarnação fosse um tempo só de plantar, e aguardássemos post mortem, a colheita dos frutos.
Contudo, se hoje sabemos que algumas das nossas condições atuais de vida foram resultado de escolhas feitas no mundo espiritual, o fato é que a maioria delas nasceu de deliberações mais recentes. E são estas, muitas vezes, que nos causam prazer ou sofrimento.
Kardec chama a isto de causas atuais das aflições. E se estamos causando aflições para a nossa vida atual, significa que podemos aprender atitudes que nos causem bem-estar presentemente, o que rompe em definitivo com as idéias aprendidas em outras crenças, pelas quais já passamos, de que o céu e o inferno estão além desta vida, num outro tempo e num outro lugar.
Não existe lá ou aqui para a Lei de Causa e Efeito. podemos agora estar convivendo com o resultado de coisas que fizemos em outras vidas, no mundo espiritual, ou podemos estar gerando, agora, uma situação para daqui a cinco minutos. Podemos tomar atitudes que começam a ter resultados no mesmo instante em que as tomamos e que perdurem enquanto nos mantemos nelas, deixando de existir quando mudamos interiormente.
Causas e efeitos de nossos atos estão aqui e em toda parte, porque elas não dependem de se estar encarnado ou desencarnado. Porque responsabilidade é um natural responder por tudo o que for manifestação da vontade de um Espírito, seja sob a forma de pensamentos, atos ou sentimentos, mesmo que não vejamos que é assim que ocorre.
Como encarnados, não apenas continuamos livres para escolher novos rumos como, também, as nossas decisões começam a fazer efeito imediatamente, pelo menos, no campo emocional e mental, embora materialmente possam se concretizar mais tarde.
Porém, como emoções e pensamentos definem o modo como vivemos, bem ou mal, na Terra, estamos criando diariamente e a cada minuto nosso céu ou nosso inferno pessoais, nossa recompensa ou nosso castigo, de acordo com a qualidade de pensamentos e emoções em que nos mantemos.
Retalhos de luz...
Naquele dia tão claro
Quando na terra nasci
Um som a mais se fez ouvir
O meu choro, o meu riso
E um espaço ocupei.
Hoje já quase voltando
Pensei: o som que eu trouxe
Tem sido harmonioso?
E o espaço que ocupo
Ficou mais belo,
Mais valoroso? "
Nos dias que vão passando
Quase não estão reparando
Detalhes do seu viver
Preste um pouco de atenção
Para não perder a condição de ver
Verá: há mais bem e mais crescimento
Que lhe parece ao pensamento
Mas também há perdas de oportunidade
Que diminuem a qualidade do seu viver.
O tempo segue a correr
Seja sua ação pessoal, consigo,
Uma condição, uma ferramenta
Para sua própria construção! "
Saia da rigidez
Logo! De uma vez!
Rigidez só traz doença, dor e desavença
Rigidez só nos faz mal.
Impede a flexibilidade
Que é ótima qualidade
Mais justa, mais adequada
Abre portas à felicidade.
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"Nas margens do rio mais lindo, um homem sentado alheio a tudo, não se dá a chance de ver a s belezas que tem ao redor e não desfruta da paisagem bela, do perfume e do sabor delicioso de ali estar. Pensa no dia apertado de dificuldades, na falta do pão, na família distante, no sofrimento que passa, na dor, na dor, na dor...
E não deixa, nem desconfia que pode deixar a dor se aliviar e sumir, somente se ele viver aquele momento com sentimento de partilha e se confiar as providências que sempre chegam, quando as deixamos chegar.
A vida é feia se a faço assim. Mas é bela e sorri para mim se a deixo ser ela e se a vivo sem temor."
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