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Coletânea de textos publicados no
Ano III - Edição nº2 - Julho de 1999

CPDE - Curso de Princípios Doutrinários do Espiritismo

Assumindo o fato de que o nosso CIEDE, há muito tempo, não é mais um curso de introdução, nem ao Espiritismo nem aos Princípios Espíritas, como já o foi, estamos anunciando que passa a se chamar Curso de Princípios Doutrinários do Espiritismo e ganha nova capa e novo layout das capas de cada aula.

O conteúdo que é sempre revisado, recebe algumas melhorias, inclusive um histórico, ficando ainda mais interessante.

As novas apostilas já estão à disposição dos interessados.

Prece X Turbilhão Mental


Estamos salientando para os dirigentes espíritas a necessidade de exame do assunto título deste artigo.

É um engano imaginar ou considerar que basta a uma pessoa chegar ao Centro Espírita para ficar bem posicionada, mentalmente, para uma prece e para a reunião de que vai participar. Sempre é necessário um trabalho interno de harmonização, aquietamento de pensamentos e sentimentos.

Embora interno, esse trabalho costuma requerer a motivação do dirigente, que usando do seu feeling, da sua sensibilidade e da sintonia com os orientadores espirituais da reunião, saberá estimular e facilitar esse processo de deslocamento da ocupação interna.

Confunde-se, ainda, turbilhão mental com atividade, dinamismo. E imagina-se que enxurradas de pensamentos caoticamente formando-se e formando-se , seja o natural.

E então, a experiência pessoal da verdadeira prece não ocorre. Talvez, dos participantes da Casa Espírita, ninguém tenha conseguido desfrutar dessa experiência e por isso continue guardando, lá no seu íntimo, a idéia de que prece é uma espécie de ritual para agradar a Deus ou para afastar os maus Espíritos.

Temos sugerido e exemplificado, vários recursos de promover a harmonização dos grupos espíritas, desde aberturas, quando antes da prece o dirigente faz colocações que criem um natural voltar-se para o objetivo da reunião, até os exercícios de separar-se das ligações com que costumamos estar misturados, fluidicamente, visando o reconhecer-se, distinguir-se, sentir-se. E claro, o ensino de Kardec sobre a Comunhão de Pensamentos, que temos transmitido em forma de palestras, estudos e reflexões.

Não cabem aqui as descrições e necessárias explicações sobre cada item sugerido, mas vamos de um em um, na seqüência dos números deste jornal, fazê-lo, recordando-os para que possam ser melhor aplicados.

Turbilhonamento mental é sinônimo de alta dose de descontrole pessoal e estado de perturbação.

O pensamento é um atributo da inteligência que é uma faculdade dos Espíritos. Conforme evoluímos, mais ganhamos domínio sobre nossos pensamentos, formando-os ou escolhendo-os conforme a necessidade. Isto significa que tomar posse dos próprios pensamentos é uma das nossas tarefas, no processo evolutivo.

Sem dúvida, só se tem posse daquilo que se vai conhecendo e dominando. O que passa, necessariamente, pelas etapas de controle, experiências e exercícios. Por isso, diminuir a quantidade de pensamentos, canalizando-os para um ponto ou assunto, faz parte desse processo e traz resultados interessantes e fortes, em termos de melhor uso e aplicação dessa capacidade que nos permite ordenar conhecimentos, idéias e descrever sensações ou situações.

A prece é um elevar-se do estado mental costumeiro, atingindo outros níveis de sintonia. Por isso não combina com perturbação, confusão, turbilhão de pensamentos, estados nos quais é impossível o necessário recolhimento que antecede a elevação dos sentimentos, das vibrações e do próprio ser.

A verdadeira prece é uma experiência pessoal de sintonia elevada, penetrando-se em faixas vibratórias superiores e talvez fazendo contatos nelas.

É desnecessário explicar porque o pensamento acalmado, harmonioso e canalizado é a condição básica dessa experiência.

Entretanto, todos podemos chegar a isso, com algumas providências pessoais e pela colaboração e motivação dos nossos dirigentes espíritas, que têm nas reuniões, sejam de estudos teóricos ou práticos do Espiritismo, as melhores oportunidades de ensinar, exercitar e treinar novas posturas mentais, visando não só a harmonia do pensamento de cada participante, como a necessária harmonização do ambiente da reunião, condição para que ela ocorra como deve ocorrer.

Pedir, mandar ou sugerir que alguém aquiete os pensamentos, pode não ser o suficiente, embora ninguém possa fazer isso por outra pessoa. Já estudar o assunto em conjunto, esclarecer, mostrar as vantagens, sem idéias de condenação ou menosprezo, pode abrir o entendimento e o interesse de muitas pessoas, que passarão a criar facilidades internas para que esse aquietamento comece a ser conquistado.

Fica aqui o levantamento do assunto. Que ele desperte a todos que possam fazer algo de renovador, nessa importante fase da história humana, neste planeta, quando caminhamos céleres para o reconhecimento geral de que somos Espíritos.

Por que bater-se quando descobre ter um ponto fraco?

É impossível esclarecer uma pessoa que está tomada por uma idéia.

Abandone a necessidade de controlar resultados.

Voltou a ser abóbora!
Cristina Helena Sarraf - julho - 99

Um fato muito interessante de se observar é a facilidade com que se perde energia.

Acontece algo de bom, pessoas nos tratam com afeto, encontramos amigos queridos, o que nos propusemos a realizar sai super bem, sentimo-nos amados, as dificuldades são superadas e o melhor ocorre, claro que ficamos alegres, felizes, até radiantes. Ou seja, estamos plenos de energia, revigorados. Nos olhos, nos gestos, no corpo todo, flui um dinamismo, uma vitalidade a mais. Depois, não mais que logo depois, começamos a perder essa energia. É como se uma nuvem negra nos envolvesse, sugando-nos recursos.

Com extrema facilidade lembramos de fatos desagradáveis, dolorosos, um mínimo detalhe estraga tudo, conectamos sem impedimento com negatividades e passamos a ver dissabores onde antes estava tudo bem. Logo, rapidamente, estamos cansados, esgotados.


Nos Princípios Doutrinários do Espiritismo encontramos um mundo de coisas novas quando abrimos o estudo dos Fluídos. Um mundo de coisas novas...

Ficamos sabendo que vivemos imersos em fluídos, matéria em forma energética que a tudo envolve e em tudo penetra, compondo um aspecto invisível, porem sensível e interferente. Esses fluídos são moldáveis e manipuláveis pela ação do pensamento. E adquirem qualidades correspondentes às que temos ou que priorizamos em dado momento.

Assim, por exemplo, pensamentos alegres correspondem a estar envolto e emitindo fluídos descontraídos, positivos e bons. Já pensamentos de autodepreciação condicionam fluídos pesados, opressores e desagradáveis.

No estado de contentamento somos geradores de um ambiente bom.

No estado de descontentamento somos geradores de um ambiente ruim.


Mas no geral, achamos que o ambiente é bom ou ruim porque o outro o fez ficar assim. E nós, somos as vítimas ou os beneficiários disso. Ou seja, damos ao outro um poder que na realidade é também nosso.

Então, um ambiente é formado pela ação mental daqueles que ali estão, encarnados e desencarnados. Seus pensamentos, sentimentos e sintonias com outros encarnados e desencarnados, geram uma somatória que dá a qualificação circunstancial do ambiente. Circunstancial porque cada componente altera sua disposição de tempos em tempos, mudando o nível da qualificação. E de novo entra a participação dos mais conscientes, renovando sua atitude em função da necessidade, para que tudo se mantenha agradável para todos.

Ajudar na harmonização ambiental é permitir-se estar envolto em energia harmoniosa e pacificadora. Mas, se esperamos isso dos outros ou largarmos no laisse fair, nada temos a reclamar.


Voltando agora para aquele momento bom, que deveria perdurar e nos manter animados, energizados e felizes por um tempo, saimos dele perdendo energia porque estamos descuidados dessa manutenção, comportando-nos como se tudo dependesse da providência divina e não de nós mesmos.

Será preciso que o sofrer, o penar, nos leve a tal necessidade de forças e de alegrias, que acabemos por desconfiar que o que precisamos tem que ser feito por nós mesmos e não ficarmos no aguardo de outrem? Vamos continuar apanhando para aprender? Ou é melhor morrer de desgosto?

Quando chegará a hora em que, assumindo a posse de nós mesmos, passaremos a cuidar do que pensamos, do que sentimos e da nossa qualidade fluídica ?

Bem... talvez ainda nos seja vantajoso, logo após a felicidade, voltar a ser a gata borralheira e nossa condição energética voltar a ser abóbora... Algum proveito com certeza tiramos disso, para deixar que, passe o tempo que passar, sempre após o bom permitimos que o ruim se instale e ainda achamos que é assim mesmo, que afinal não foi algo tão importante para nos mantermos animados e iluminados... É que estamos com sono...É que trabalhamos muito... É que foram tantas coisas.....

Desculpas sobre desculpas, achando que o outro é responsável pela minha situação ou que sou assim mesmo, escolho prosseguir em perdas e em fugazes momentos de maior plenitude.

Entretanto, encarando o que faço comigo, vejo a minha possibilidade de ignorar provocações, lembranças ruins e presenças desagradáveis, impedindo-me de sair com facilidade do bem estar que desfruto, resultado até de meu próprio agir. Mantenho o bem. Aumento-o, lembrando-me dele e deixo de lado tudo que venha toldá-lo e tirá-lo de mim. Afinal, não caiu do céu, mas foi minha conquista.

Ou será mais fácil e cômodo deixar que volte a ser abóbora ?


O Livro dos Espíritos nos revela
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