O 18 de abril, em 1999
A 18 de abril de 1857, na livraria do Sr. Dentu, o livro que começou a ser vendido iniciava sua brilhante trajetória de revolucionador de idéias, abrindo uma nova era, uma nova postura para o entendimento da Vida, do Homem e do Mundo.
O pensamento humano oscilava entre a religião e a ciência, opostas em pincípios, procedimentos e objetivos. A religião fixando-se em dogmas e concepções imutáveis, considerados como vindos de Deus. A ciência buscando explicar todo o funcionamento da vida materal, as suas leis, mas em constantes mudanças, a cada nova descoberta. Aparentemente a religião é espiritualista e a ciência é materialista. No passar do tempo, fortalece-se essa separação, na qual a ciência foi ganhando terreno, sobretudo entre os Homens cultos e analíticos.
É nesse contexto que O Livro dos Espíritos passa a existir, trazendo uma revolucionária inovação: unindo ciência, filosofia e moral!
É muito importante esse fato para não lhe darmos o devido valor. Por isso, vejamos de novo: pela primeira vez, na história da humanidade uma doutrina é, ao mesmo tempo, filosófica, científica e moral. Numa linguagem mais comum: no Espiritismo, ciência e religião estão unidas, somando forças para que a vida dos homens possa ser melhor entendida e vivida.
Hoje, graças a coragem de alguns físicos, está quebrada definitivamente a idéia de que estudar as leis e o funcionamento do mundo material nada tem a ver com Deus, o Espírito e a espiritualização. Mas Kardec já havia deixado isso bem claro, mostrando que não se pode entender verdadeiramente o Espírito sem entender a matéria e vice versa. E que o Espiritismo caminharia sempre de par e passo com a ciência, embora seu foco seja o Espírito.
Aliás, sem uma postura científica, observadora de nós mesmos e do funcionamento de nossas faculdades, deixamos de aproveitar o melhor do Espiritismo como transformador de nossas vidas.
Outro ponto: desde uns vinte anos vem crescendo a idéia de que a melhor forma de nos vermos é holisticamente, ou seja, o Homem integral, composto de corpo e alma. Já está comum que terapeutas, médicos, cursos e livros indiquem que doenças e distúrbios sejam resultado da nossa forma de pensar e viver. Parece-nos que essa idéia é uma novidade que tenha vindo de concepções terapêuticas orientais, mas no Espiritismo ela está permeando todos os entendimentos, pois demonstra que o Espírito, o ser inteligente, está intimamente ligado ao corpo, seu instrumento para progredir, mas que é formado e mantido pelo próprio Espírito. Os pensamentos, sentimentos, reações, emoções do Espírito modificam a vibração do perispírito, dando-lhe determinadas características que passam, imediatamente, para o corpo, determinando nele a produção de substâncias e reações correspondentes. Quer dizer, o corpo é o espelho do Espírito e nele podemos detectar todos os detalhes da nossa personalidade espiritual.
A cura do corpo só é efetiva se o Espírito muda as atitudes causadoras do disturbio. A harmonização de pensamentos e sentimentos do Espírito determina um corpo mais são.
E mais, o Espiritismo como o holismo demonstram que estamos inseridos na Natureza e dela fazemos parte, influenciando e sendo influenciados por todos os seres, visíveis e invisíveis.
O Livro dos Espíritos nos revela um mundo de coisas novas!*
Sim, um mundo de coisas novas, verdadeiramente, nos aguarda quando fazemos um exame mais liberto da doutrina que abraçamos, mas que ainda é uma grande desconhecida para a maioria de nós, tem-nos demonstrado a querida companheira Oneida Terra.
Estudando com um pouquinho de coragem de entender o que está escrito em Livro dos Espíritos (e demais obras da Codificação), sem transportar para o estudo as formas de pensar que já temos, acabamos por perceber a profundidade e o vigor dessa doutrina revolucionária e como é possível nos libertarmos de tantas amarras, medos, inseguranças, rotinas e dependência mental.
Há 142 anos essas novidades" são nossas ! Quando as vivenciaremos?
*O lema acima é a base da campanha permanente do CEM, ano 1999, para divulgação, leitura e estudo de O Livro dos Espíritos. Participe!
Criando a independência mental: "Eu posso entender, sozinho, a Doutrina Espírita!"
Embora muitas vezes não pareça ser assim, existe uma grande diferença entre estudar e ler.
No geral não se faz esta distinção, nem mesmo das escolas, e nós, os pobres mortais, vamos penando pela vida e acabamos por seguir opiniões destes e daqueles que, mais hábeis ou espertos ou influentes, acabam moldando nossas opiniões, posicionamentos e modos de viver.
Se fica mais complicado no que se refere a assuntos que demandam certo grau de escolaridade e cultura, no que se refere ao entendimento do Espiritismo essa complicação pode deixar de existir, ao tomarmos certos cuidados.
Queremos deixar bem claro que o que vamos expor é fruto de nossas experiências e vivências pessoais (que não cessam) e de muitas e muitas pessoas que têm adotado a mesma forma de ganhar independência mental.
Primeiramente, vamos fazer a distinção entre entendimento e interpretação.
Entender é penetrar no pensamento que se expressa através das palavras escritas ou faladas.
O entendimento implica em algo mais que tomar conhecimento do que é dito. Mesmo porque, muitas vezes, as palavras não estão expressando, na íntegra ou claramente, o que foi pensado.
Interpretar é colocar o seu modo de pensar como "tradução" do que lê ou ouve. Nesse processo, deixamos de entender o que realmente está sendo dito, aumentando ou diminuindo, transformando ou fechando os olhos para o que foi expresso, segundo nossa aprovação, desaprovação ou conivência com o assunto ou com o autor.
Quando interpretamos, lemos o que já sabemos e conhecemos. Quer dizer, vemos no que está escrito o que queremos ver, com a nossa forma de pensar e não o que ali está, verdadeiramente expresso. Por isso, a interpretação é sempre pessoal, dependente de recursos pessoais.
A forma generalizada de ir lendo e interpretando noz faz leitores superficiais e incapacitados para o entendimento legítimo do que lemos.
Esse entendimento legítimo é adquirido por qualquer pessoa que o queira ter.
Quanto ao Espiritismo, foi escrito para todos aqueles que sentem, no seu íntimo, que através dele encontrarão as luzes necessárias para sua própria iluminação interior. Sendo assim, não seria lógico termos que a vida toda, contar com a explicação dos outros sobre os textos de Kardec. Precisamos ganhar essa capacitação de nos acostumarmos com uma linguagem tríplice (filosófica, científica e moral), irmos entendendo "por trás das palavras" o sentido mais amplo do que os Espíritos quiseram dizer e chegarmos, em breve, a ter uma compreensão mais satisfatória, independente e até, surpreendentemente renovada dos mesmos conceitos, que até então entendíamos pela interpretação de outros.
Segundo: Faça uma leitura rápida, de reconhecimento do texto, para saber do que se trata e acabar com as expectativas.
Terceiro: Volte a começo para entender, frase por frase, sem interpretar, procurando por trás das letras, o sentido mais claro e profundo do assunto. Não tenha medo de entender de forma diferente da tradicional ou daquela que você já tem na cabeça. Sair das bitolas mentais é o seu objetivo, não é?
Ajuda muito, colocando-nos numa posição mental aberta para o entendimento, fazer, em cada frase, a pergunta: O que está escrito aqui?
Quarto: Grife palavras-chave, palavras essenciais para o entendimento. Anote num caderno observações, dúvidas, questões, que nascem deste estudo.Não se esqueça de usar o dicionário, quando preciso.
Quinto: Chegando ao fim, junte as idéias, fazendo uma síntese do que está escrito. Anote, para usar depois.
Um bom estudo feito assim gera a memorização natural, o domínio do assunto e a produção de idéias. E com isto, ficamos com maior confiança em nós mesmos. O que já é extremamente necessário!
Exercite. Exercite. Exercite.
Ouse!
Impeça que a preguiça e as idéias negativas cortem sua possibilidade de ganhar independência no estudo da Doutrina Espírita.
Por fim, lembre-se de chamar seu anjo guardião, toda vez que for estudar. Tudo será diferente...
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