Mediunidade X Ligação Espiritual
Cristina Helena Sarraf
"A presença dos Espíritos ao nosso redor não depende da mediunidade, nem de qualquer espécie de evocação, da mesma maneira que as mensagens radiofônicas estão sempre no ar, mesmo que não tenhamos um rádio ou não o liguemos. Quando Kardec diz que a mediunidade nada tem com isso, pois é apenas um meio de comunicação, esclarece que a presença dos Espíritos não é um fato mediúnico, porque este implica a percepção dessa presença e a comunicação com os Espíritos."
Essa explicação é uma nota do tradutor Herculano Pires, para a questão 232 do capítulo XXI de O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec. Citando-a, queremos lembrar que no dia nove deste mês completou-se vinte anos da desencarnação do professor Herculano, emérito espírita, cuja postura e seriedade, são perenes exemplos e inspiração.
Neste trinta e um de março, fazem cento e trinta anos que Kardec desencarnou e nada melhor podemos fazer para honrá-lo, do que estudar a Doutrina, entendendo e vivenciando o que foi aprendido.
A questão 232, cap. XXI - A influência do meio - traz essa importantíssima informação de que a mediunidade não é a causa de nossas ligações espirituais. Ela é, tão somente, um recurso, uma potencialidade para que, estando encarnados, percebamos e entendamos os Espíritos que atraímos pela nossa forma de pensar. A mediunidade é apenas um meio de comunicação.
A ligação com os Espíritos não é um fato mediúnico, salienta Herculano Pires, pois um fato mediúnico só se caracteriza se houver a percepção da presença dos Espíritos que já estão ligados conosco e/ou a comunicação com eles, quer dizer, o entendimento do que pensam e sentem e até o diálogo. Mas a ligação, a sintonia, é sempre fruto de como pensamos e sentimos, pois somos também,Espíritos.
É natural, normal, que haja Espíritos ao nosso redor, pois eles estão em toda parte e vão para onde desejam. Sendo dotados de livre arbítrio, podem ir, ficar, sair, sendo seu único limite a capacidade que tenham de uso do livre arbítrio. Mas conta muito, a nossa forma de ser que abre ou fecha atrações e interesses para que Espíritos afinizados com as qualidades e as imperfeições que temos, fiquem conosco e interfiram em nossas decisões.
Sempre que nos reunirmos, há uma assembléia oculta, participando e interagindo, formada por aqueles que estão em sintonia com nossa forma de pensar e ser. Se formarmos um ambiente leviano, maldoso, assim são as nossas companhias espirituais. Se formarmos um ambiente amoroso, harmonioso, atrairemos companhias desse teor. O que não quer dizer que bons Espíritos não possam estar em um ambiente maldoso, se forem chamados ou se estiverem promovendo uma ajuda. Mas se nada for possível fazer, deixam por um tempo, que o amadurecimento abra portas para uma nova oportunidade.
O que mais importa destacar aqui, é que seja qual for a situação, o vínculo espiritual nasce e se fortalece como resultado de nossos pensamentos, Espíritos que somos, e não por causa da mediunidade, a qual, em última análise, é a solução. Isso porque, podendo perceber e entender os Espíritos que nos rodeiam ou que vêm nos ajudar, fica aberta a possibilidade de começarmos a adquirir uma outra postura e uma nova forma de pensar sobre nós mesmos e sobre a vida.
Ainda é muito grande o número de espíritas que culpa ou reverencia sua mediunidade, como causa dos problemas ou da ajuda espiritual que tenham. Consideram que a mediunidade está desequilibrada; que não utilizá-la é provocar doenças; que é a mediunidade que os deixa frágeis; à mercê de certos Espíritos; pólos de atração para os que sofrem, os perturbadores ,etc.
Estamos propondo que os companheiros de Doutrina façam uma rigorosa análise desse item 232 de O Livro dos Médiuns e se confirmarem nosso entendimento, que possam multiplicar esse estudo nas suas Casas Espíritas, quebrando um tabu e um erro conceitual sobre a mediunidade e abrindo uma nova era para os médiuns e para todos, em geral, nas naturais e diuturnas relações que temos com os Espíritos.
Falando em público...
Falar sobre o Espiritismo, na Casa Espírita constitui-se em uma atividade necessária pois que o objetivo maior dos núcleos espíritas é o estudo da Doutrina.
Se você escolheu essa tarefa ou se precisou assumi-la, pense que naquele momento você pode ser um excelente veículo para que as luzes do Espiritismo penetrem nos corações e nas mentes que ali estão, em busca de lenitivo, orientação, idéia para viver melhor ou pelo menos, para entender melhor a vida. Esqueça os contraditores. Eles nada querem...
Pense nas pessoas que o ouvem como corações que igualmente a você, têm dores e podem ser informados de como viver mais suavemente. Você é o veículo. Veículo das lições do Espiritismo e da inspiração dos bons Espíritos. E sabe de uma coisa interessante: você é quem mais aprende. Além do que, tendo aberto a possibilidade de ser inspirado, poderá até criar elos melhores com Espíritos mais equilibrados, que não medirão esforços para secundá-lo nessa tarefa útil, necessária e boa. Mas não esqueça: você não é a verdade e a perfeição, é apenas um expositor das idéias espíritas.
Não tema. Estude e confie. Saia de trás da mesa, chegue mais perto para que sintam que você é uma pessoa e para que você sinta que os que o ouvem, também são pessoas, Espíritos encarnados em busca de felicidade. "Partilhar é uma das maiores bênçãos da vida." Contrarie o temor de errar com os seguintes pontos de vista:
- não tenha medo de errar, é uma boa forma de acertar para sempre. Só o orgulho nega isso...
- os outros não sabem o que você iria dizer e por isso não perceberão nada.
- não decore, escreva em uma folha de papel, dados, esquemas, citações... E use-a!
- toda fala deve ter começo, meio e fim; fica mais fácil para falar e para entender.
- seja você; crie o seu tipo de se expressar; imitar outros é dar vazão ao orgulho.
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Estamos progredindo mais rápido
"A permanência no plano espiritual, apresenta, para nós, estudiosos contumazes, alguma vantagens. O campo de observação é desmesuradamente rico. A interação das leis divinas, no processo de elevação das criaturas, oferece as nossas considerações, material de incomparável variedade e importância.
A evolução, por exemplo, para o observador fora dos condicionamentos da matéria (que são muito maiores que a simples circunstância de estar ligado a um corpo físico, pois é todo um complexo estado psicológico de limitação às percepções materiais e de crenças calcadas nesta limitação), demonstra um proceder tão inteligente e único que sinto vontade de lhes descrever.
A evolução trabalha por si. Não depende de um Deus a empurrá-la para frente, como uma carroça. É claro que este mecanismo auto-sustentado já fazia parte do projeto divino, mas é impressionante vê-lo a processar suas transformações com autofágica voracidade. Eu explico: a evolução alimenta-se de si mesma, vive de si mesma. A evolução é uma lei que leva ao aperfeiçoamento das criaturas e dos mundos, mas cada aperfeiçoamento é o ponto de partida de novas melhorias, de novos avanços.
Quer dizer que a evolução toma cada produto criado por ela mesma e se retroalimenta de suas inovações, na elaboração do ultranovo !
A primeira conseqüência disto é o visível aumento da velocidade do progresso. O rápido é a ponte para o mais rápido, o eficiente é o caminho para o mais eficiente. Podem perceber o continuum, na ação desta lei de Deus? Conseguem calcular o seu potencial intrínseco? Infinito!
A segunda conseqüência é que, como de praxe o progresso material se faz seguir do progresso moral, estamos caminhando mais e mais rapidamente para nosso Mundo de Regeneração, porque também os seres humanos têm mais acesso a leituras esclarecedoras, recebem mais rapidamente os efeitos materiais positivos ou negativos de suas ações (tudo funciona melhor, afinal), tornam-se sensíveis a perceber as causas psicossomáticas de suas enfermidades e, na medida em que sofrem as conseqüências de seus desacertos, já tratam de cuidar-se psicológica e emocionalmente, para terem decisões mais serenas e acertadas. Antigamente, era preciso desencarnar e reencarnar para fazer esta auto-avaliação!!
Esta é grande novidade no horizonte do Novo Milênio.
E o progresso atinge uma velocidade tão vertiginosa, que tudo a quanto nos apegávamos, nossos bens móveis e imóveis, nosso dinheiro, passam tão depressa ou tornam-se velhos tão cedo, que sua posse perde o sentido.
É todo o planeta Terra vendo além da atração hipnótica pelos bens materiais, restando-lhe abrir os olhos para os bem espirituais.
É o caminho de redescoberta do valor das pessoas, de cada ser, de cada Espírito.
É o prenúncio de investimentos nos projetos que favorecem o progresso das inteligências, a promoção de todas as capacidades íntimas, artísticas, literárias, criativas, afetivas.
É a valorização, enfim, dos bens invisíveis de que Allan Kardec já falava tão propriamente há mais de um século, mas que só hoje a evolução nos ensina e demonstra ser uma realidade universal."
Um Amigo / Rita Foelker
A EXEMPLO DE KARDEC
Uma das características que mais se destacam no comportamento de Kardec é sua postura científica face a todo um mundo de coisa novas que se lhe abriu, quando contatou com os ensinos dos Espíritos da Codificação e com as pesquisas e experiências com a mediunidade.
Kardec está perfeitamente imbuído de que não lida com substâncias químicas e por isso os métodos de observar, analisar, reobservar para concluir, terão de ser específicos e diferentes daqueles usados para com corpos inanimados. Está lidando com inteligências, muitas das quais superiores a ele mesmo, e não é o momento de se perder em preconceitos e idéias padronizadas, mas de permitir que esse mundo de coisas novas venha a tona, o mais possível, para poder entendê-lo e aprender a lidar com ele.
Mas hoje, parece que essa postura renovadora, lúcida e desassombrada do nosso codificador fica esquecida, enquanto nos envolvemos com temores, preocupações com a obsessão com as nossas limitações, com o que dizem e fazem os outros...
Sim, Kardec foi um homem altamente capacitado para a tarefa que cumpriu. Mas, a pergunta é se temos que realizar uma tarefa missionária como a do codificador ou apenas aproveitar seus exemplos, para aplicar nas situações do dia a dia da vida e da vida do Centro Espírita?
E, o que seria ter uma postura científica se não somos cientistas ?
Tudo é uma questão de ponto de vista. Se achamos que ser cientista é apenas para aqueles que estão nos laboratórios e sociedades científicas, então, realmente estamos fora disso. Mas, se entendermos que há cientistas em todas as áreas do conhecimento humano e há cientistas em todos os níveis e graus de profundidade de trabalho, poderemos nos incluir entre eles, se tomarmos a postura de cientistas da vida.
A postura científica baseia-se em uma atitude interna, que todos podem cultivar, de querer saber como algo funciona e como pode ser utilizado. A investigação científica é completamente diferente da curiosidade vã e da desconfiança, pois a primeira se satisfaz com a superficialidade e a segunda se sustenta em uma idéia preconcebida.
Como funciona a mediunidade? Vou descobrir, observando, confirmando ou negando as informações que tenho.
Como posso reconhecer a qualidade dos Espíritos que convivem comigo? Vou observar o que sinto e o que penso sempre. São os pensamentos que atraem os Espíritos.
Vou experimentar, por um mês, não aceitar pensamentos contra mim ou contra quem quer que seja. Observarei como me sinto, como segue a vida e como ficam minhas relações com os parente e amigos.
Quero observar a reencarnação funcionando nas pessoas. Começarei por me observar e aos que estão perto de mim. Quais reações são aprendidas ou adotadas agora e quais vêm do passado reencarnatório? Ficarei bem atento para os momentos inesperados, quando revelamos nossos hábitos mentais.
Minhas preces são verdadeiras? Funcionam? Vou observar melhor isso, para descobrir se realmente me elevo.
Etc. Etc. Etc.
Poderei ocupar melhor meu tempo e minhas capacitações, cientificamente, como Kardec, se eu quizer...
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