Untitled
Coletânea de textos publicados no
Ano III - Edição nº1 - Junho de 1999

Tudo Começa em Mim
Cristina Helena Sarraf

No começo, tudo era a vontade de Deus, é era tão bom...

Fim do século vinte. Término do nosso entendimento de que é de Deus a responsabilidade e a decisão por nossas características pessoais, nossos pendores, nossas vidas e suas circunstâncias.

E agora? Se essa responsabilidade não é do Criador, será dos meus pais? Dos astros? Do governo? Da sociedade? Dos EUA? Das forças ocultas?

Talvez, para muitos de nós, humanos terráqueos, a resposta seja muito mais assustadora e terrível do que se fosse qualquer outra alternativa, ainda que mirabolante.

E qual é esta tão indesejada resposta? É simplesmente: tudo começa em mim!

Nós somos Espíritos vivendo temporariamente com um corpo físico. Há uma total integração entre Espírito e corpo, de forma que nada ocorre com um que não se reflita no outro. Mas o corpo é matéria e por isso é apenas instrumento inerte. O Espírito é o ser, o indivíduo, dotado de inteligência e mais uma série de potencialidades que vão sendo desenvolvidas e ampliadas. Isso se faz no decorrer de inúmeras encarnações, em cada uma das quais somos uma personalidade composta do passado reecarnatório e da presente vida.

Eu, o Espírito, comando o corpo. Sem mim ele morre e se decompõe. A vida do corpo é dada pelo Espírito.

O corpo é exatamente como o Espírito o faz, e o faz na gestação, segundo as leis genéticas mas, imprimindo-lhe suas características pessoais, as quais determinarão particularidades anatômicas, fisionômicas e fisiológicas. E o mantém, durante a vida, caracterizando-o todo dia e toda hora, com sua forma de ser, pensar, sentir e agir. Qualquer influência depende da nossa aceitação.

Ao nos olharmos no espelho, vemos quem verdadeiramente somos, refletido na matéria densa do corpo carnal. Muitas vezes não gostamos do que vemos e até fechamos os olhos para certos detalhes. Entretanto, mudar é possível. E essa afirmação não está considerando exercícios físicos ou cirurgia plástica, mas sim a ação do Espírito.

Os Espíritos agem pela vontade, pelo modo de ser, pelo pensamento.

O pensamento é a atividade interna do Espírito, manifestada sob variadas formas, desde reações, emoções, sentimentos, até idéias, pontos de vista e o pensar propriamente dito.

Essa complexa elaboração íntima que resulta no viver, decidir, sentir, transferem-se automaticamente para o corpo físico, e neste provocam a produção de químicas correspondentes ou seja, de substâncias que passam a fazer parte do metabolismo celular. Assim, a irritação, por exemplo, produz químicas que interagem com certos órgãos e acabam por determinar alterações, que pela persistência e continuidade podem se constituir em uma doença. O mesmo raciocínio se aplica para o medo, a preocupação, a alegria, a confiança na vida, etc, dentro dos graus e das nuances que cada um de nós imprime a essas emoções, sentimentos e formas de ser.

E mais, tudo que tiver a característica da positividade melhora nossas condições espirituais e físicas. Tudo que se caracterizar pela negatividade, gera prejuízos que podem ser incalculáveis.

Hoje a Física Quântica já provou que quando pomos nossa atenção, observando um campo quântico, alteramos o comportamento das subpartículas dos átomos. Ou seja, no que concentramos atenção, observação, ação persistente, aí estamos determinando uma mudança na matéria. Porque, alterar as subpartículas é alterar as partículas, os átomos, as moléculas e as células. Isto significa que tudo está sendo mudado, transformado, pela nossa participação e o que entendemos como realidade é um fazer-se constante, nada estando pronto de uma forma determinada, como se Deus tivesse feito assim e pronto.

Por isso nosso corpo é um reflexo daquilo no qual pomos mais força de atenção, persistência e concentração, embora queiramos pensar que tudo é culpa da vida. Claro está que ficar na ansiedade, concentrar sentimentos e pensamentos na dúvida, criam resultados profundamente diferentes, para a alma e o corpo, do que cultivar a pacificação interna e por-se de frente, olhando direto, para qualquer situação, na certeza de encontrar a solução mais adequada.

Formas de ser e reagir podem ser mudadas se não estão nos fazendo bem...

Criando o Livre Arbítrio, Deus deu a cada Espírito, integral responsabilidade por si mesmo. Por isso, tudo, mas tudo mesmo, começa em mim!

Lembre-se: O Livro dos Espíritos nos revela um mundo de coisas novas!


Estamos entrando no terceiro ano de existência do Jornal do CEM.

Você que o tem recebido, se gosta dele, cumprimento-o, escrevendo sobre o que aprecia nele, se o usa como apoio para estudos e reflexões, se o divulga, o que gostaria que ele contivesse e o que pode fazer para que ele cresça, em páginas e em tiragem.


Viver e Sobreviver

Acostumados já estamos, faz tempo, a pensar que a vida existe para sofrermos e pagarmos contas, material e espiritualmente falando. Até se valoriza muito aqueles que sofrem horrores para passar os dias da vida e realizar seus compromissos...

Mas esse pensamento não é espírita. Até porque, o conceito espírita de Deus não nos deixa entender que o Criador faça injustiças. Sim, posto que o sofrimento de uns seja maior que o de outros, se ter valor significa sofrer, então algo está errado... por que estaria havendo privilégios.

Mesmo falando em Causa e Efeitos, em mundo de provas e expiações, em níveis evolutivos diversos, que englobam necessariamente o sofrimento e a dor, ainda assim o Espiritismo não os advoga como necessidades e como única possibilidade de aprendermos e evoluirmos. Mas diz que criamos o sofrimento através de nossa forma de ser, pensar e viver, dentro de nossas naturais incompreensões sobre como a vida funciona.

É, então, perfeitamente possível diminuir o sofrimento e a dor, escolhendo outras formas de ser, pensar e sentir. Por que afinal, não foi Deus que nos fez assim, fomos nós que nos fizemos ficar assim. E podemos desfazer...

Por isso, a idéia de que devo me esforçar para sobreviver, está inserida entre as idéias negativas, geradoras de sofrimento, limitadoras e que precisam ser revistas.

Em exame sucinto, sobreviver significa estar mal, arrastar-se, restar muito pouco. Viver significa estar de posse de toda uma gigantesca possibilidade de realizações e conquistas, desfrutando dos recursos pessoais e dos da Natureza.

Pensar em sobreviver é tolher-se e disparar um processo de falta de estímulos. Pensar em viver é ampliar-se, criando um desencadear de oportunidades, idéias, opções e alegrias.

O poder de pensar e de escolher nós temos, só é preciso decidir se queremos sobreviver ou viver.

Obs.: Quanto mais um Espírito amadurece e evolui, menos sofre!

Estamos como pensamos
Constância

Você está onde está o seu coração é uma frase verdadeira.

Você está como são os seus pensamentos também é uma frase verdadeira.

Ainda usamos o pensamento de qualquer forma ou como nosso amo e senhor e não como instrumento de trabalho pessoal para viver melhor.

Nossa receita de confusão mental e ausência de posse sobre nós mesmos, com pequenas variações é a seguinte: confundimos inteligência, que é uma qualidade essencial do Espírito, com pensar e conhecer. Misturamos com idéias pré fabricadas, preconceituosas, temerosas, aprendidas na família e na sociedade e mantidas sem exame de salubridade e validade. Acrescentamos ansiedades e angustias decorrentes, e um pouco das notícias catastrofistas dos jornais. Juntamos reações rotineiras e condicionamentos mentais. Somamos a problemática pessoal de todos que estão ligados conosco, cuja vida, ao nosso ver, depende exclusivamente de nós. E deixamos a cabeça ferver. A essa fervura chamamos de: eu sou assim mesmo. Quando tudo isto toma ponto bem consistente e já gruda no fundo, formando placas de energia parada e bloqueios da sensibilidade, está pronta a receita.

É só seguir usando-a e jamais você consegue saber o que verdadeiramente sente e quer, como é ser você mesmo, quais suas potencialidades e como usá-las, de que forma romper com essas amarras, libertando-se o possível, para estar com alguma harmonia e paz.

Já vivemos no estado natural, como Homens primitivos, quando éramos naturalmente naturais e estávamos integrados na Natureza. Depois fomos nos tornando complexos, passamos a ter instrumentos materiais e teóricos (ciência) para entender a Natureza e o nosso corpo, dos quais nos afastamos. E adotamos variadas formas de interpretar a vida (filosofia). Nesse transcorrer, fomos criando pensamentos, idéias, pontos de vista, a respeito de tudo.

Mas o processo evolutivo prossegue sem cessar. Evidentemente que nesse passar do tempo, muitas idéias morreram e outras nasceram, por mais que pessoas as defendessem e até fizessem guerras por causa delas. Sem dúvida, as verdades eternas ficam, e tudo que é circunstancial altera-se, mais cedo ou mais tarde.

Ou seja, precisaremos trocar, mudar, readaptar e criar novos pensamentos, idéias e pontos de vista, em relação a tudo que compõe a vida. Por exemplo, já há muita gente despertando para o fato de que somente a naturalidade nos permite sermos autênticos e espontâneos, embora não possamos nunca mais ter aquela naturalidade dos tempo passados. A que podemos ter agora, depende de um contato mais estreito consigo mesmo, com o sentir, com o campo vasto da sensibilidade que costuma ser um tanto quanto diferente dos pensamentos. Porque estes não são, na maioria, fundamentados na nossa essência.

Estamos a cada dia, e oscilando nesse período, com a predominância de certas características, fruto dos pensamentos aceitos, emitidos e cultivados.

É observar... Essa dor que passei a sentir é resultado do que? Como começou? O que eu estive pensando e sentindo? Qual o ponto de partida? Essa leveza que sinto agora, nasceu do que? Quais pensamentos a originaram? Essa canseira sem motivo, veio do que? Como estive pensando? Tenho estado ligado a quem?

Ou então, poderemos continuar achando que foi o tempo, a macarronada, o azar, a aglomeração no metrô, o baixo astral do vizinho, a crise econômica, a herança genética, os vilões que nos atacam e fragilizam.