Por Causa de Kardec
Por causa de Kardec muitas reflexões e análises sobre os vários pontos do Espiritismo, ocupam-nos nesse mês.
Tê-lo como modelo para as nossas vidas implica em conhecê-lo melhor e entender um pouco mais sobre seus pensamentos e atos. Mas também, está diretamente relacionado com a vivência, a prática diária daquilo que temos podido aprender em nossos estudos doutrinários.
Por causa de Kardec, é bom que olhemos com mais atenção para nós mesmos e ao nosso derredor, lembrando o "Conhece-te a ti mesmo", ensinado por Sócrates.
O mundo todo se volta para pesquisas, descobertas, terapias e conhecimentos que acabarão chegando a constatação científica de que somos Espíritos, uns encarnados e outros desencarnados. Vemos livros, notícias, novelas, curas, fatos, embora não de forma genuinamente espírita, mas abrem caminhos que desembocarão, numa nova era da Humanidade, baseada na consciência de sermos Espíritos imortais. E é isso que importa, já que seria infantilidade imaginar que todos devessem se tornar espíritas.
Todo esse fermentar de "descobertas" pede ao espírita, que já se encontrava à frente desse processo histórico, caminhar ainda mais agora, no conhecimento e na compreensão dos Princípios da Doutrina e de sua aplicação diária, para "pensar" a vida e o mundo a luz do Espiritismo, libertando-se dos ranços e dos sincretismos
mentais , que são adaptações pessoais de valores e regras, tradições e rituais, os quais passam a ser bloqueios invisíveis à vivência do que é aprendido no Espiritismo. Esses bloqueios passam desapercebidos mas, são filtros que retém o pensamento e o comportamento, nos costumes, na zona de conforto e nos hábitos estereotipados e sustentados pelo costume, pelos parentes, amigos e pela sociedade num todo.
Por que então, não lançarmos a "moda" de ser espírita? Por que não começar a "ver" a vida e o mundo pela ótica espírita? Por que não nos ocuparmos em ensinar as crianças a pensarem como espíritas, para que essas nobres idéias passem a ser sua forma natural de agir?
Se tomarmos os exemplos maiores para a nossa vida: Paulo, Kardec, Cairbar, Bezerra, Eurípedes, e outros, acabaremos percebendo com clareza, que a partir de um momento da vida, cada um deles assumiu uma nova posição mental e uma postura diferente, para se tornarem vanguardeiros, na vivência dos ensinamentos de Jesus. Eles passaram pelas críticas e humilhações, altaneiros e enobrecidos pelos próprios sentimentos e atos. E depois foram respeitados, seguidos e tornaram-se modelos de comportamento que hoje nós estudamos e analisamos, para aproximar nossa compreensão e, dentro de nossa pequenez, agirmos a luz de seus exemplos.
Fica a pergunta: por que não podemos ser pequenos paulos, pequenos cairbares, pequenos bezerras, pequenos eurípedes, que após termos sidos, um dia, tocados por Jesus e tempos depois, despertados pela Doutrina dos Espíritos, hoje, com coragem assumirmos o nosso lugar no mundo, testemunhando a hora e sendo verdadeiros espíritas?
Por que não?
Kardec classificou os espíritas de experimentadores, imperfeitos e verdadeiros, sendo estes últimos reconhecidos por sua transformação moral. E disse que não importa o que fomos, mas sim o que estamos sendo agora, com sinceridade. Assumamos, por isso, o nosso papel de espíritas verdadeiros, de verdade, com consciência, com persistência e com coragem!
Aprendeu, experimentou. Entendeu, usou. Compreendeu, aplicou.
A verdade liberta, disse Jesus. E a verdade está para nós, em todas as lições do Espiritismo, nos livros da Codificação.
E a nossa grande verdade, que precisa sair da teoria e ir para o nosso dia-a-dia, é sermos Espíritos reencarnantes, em evolução, sob as Leis do Livre Arbítrio e de Causa e Efeito, com a Mediunidade e interagindo com os desencarnados. Essa verdade é para ser experienciada.
Ao nos levantarmos, de manhã, agimos como Espíritos reencarnantes e em evolução? Temos a lembrança da mediunidade e da ação dos Espíritos? Cultivamos as melhores escolhas e decisões, para colhermos os melhores frutos, ou deixamos que tudo ocorra conforme a vontade de outrem?
É preciso ter a coragem de mudar pequenas coisas, atitudes, costumes, formas de pensar... E não estamos sós nesse empreendimento. Outros estão mudando conosco, pelas mesmas razões. E há os Espíritos bons, sempre nos sustentando para sermos coerentes conosco mesmos.
Há que se ter a coragem de ser diferente em alguma coisa. Coragem de enfrentar a si, como fez o prof. Hipolite, quando contatou com a realidade espiritual, bem diversa do que ele pensava, até então. Coragem de agir cientificamente: questionando, examinando, observando e experimentando tudo, em relação a si e ao que aprende; bem como de abrir as portas da vida para a renovação.
E ousadia! Ousar ligar-se aos altos Espíritos que nos mostram o mundo novo que se abre, quando resolvemos sair do nosso mundinho de acomodação, de vaidade, de medo e de padrões imitados.
Ousar confiar em Jesus! Sentir-se gente forte; amparados pelos altos Espíritos e tendo uma pequena parte na sustentação dessa fase de transição e de transformação da sociedade terrestre. Fase importantíssima, quando nos é dado assumir de vez o nosso papel de discípulos do Cristo, ou não...
Seja cada espírita, alegria sadia, força contra a mentira e a malícia, seja fé inabalável, como Kardec e como Amelie! Seja luz, iluminando a todos através de seu ideal dilatado, vivenciado e fortalecido pela confiança de que estamos no caminho certo, aberto por Kardec e indicado por Jesus.
E, com certeza, o Mestre espera de nós essa ação oportuna e necessária, para remover as trevas dos olhos dos Homens e remover as trevas que ocultam das inteligências, a Verdade e a Razão pela qual estamos, nesse momento, na Terra.
O trabalhador fiel, sendo fiel a si mesmo e a Jesus, tal qual foi Kardec, não permitirá que sombras apaguem o brilho do seu olhar, o calor do seu coração e sua vontade de viver e servir. Saberá se recolher com o Mestre e fortalecido pelos ensinos do Espiritismo e pela visão de mundo que a Doutrina lhe dá, agirá mais consistentemente, com mais convicção e força fluídica, em seu próprio benefício e para acender as luzes espirituais da sua Casa Espírita, com a ação prática do que aprende.
É por causa de Kardec que se formam esses raciocínios e reascende essa chama, nesse mês de outubro de 1998.
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