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Coletânea de textos publicados no
Ano II - Edição nº3 - Agosto de 1998

Educação Espírita

Interessante notar que ao nos aproximarmos do terceiro milênio, mais e mais ressalta o interesse pela educação espírita e por uma pedagogia própria, destinada a todos os níveis etários e intelectuais. Falar em educação espírita implica em fazer algo nesse sentido, já que não nos cabe a hipocrisia ou a teorização.

O CEM considera-se inserido nesse processo educacional espírita porque divulga os Princípios da nossa Doutrina, de forma vivencial, estabelecendo com eles uma forma nova de ver a vida, o que é uma postura filosófica com implicações comportamentais e com chamamento científico de constatações; observações e renovação de atitudes e formas de viver.

Um adequado estudo dos Princípios Espíritas fica inserido no trabalho de desenvolvimento de recursos humanos, por facilitar o perceber-se, promover a própria independência, o auto-domínio, incluindo-se naquilo que verdadeiramente é educação, ou seja, auto-educação.

No livro Pedagogia Espírita, de Herculano Pires, encontramos:

A Educação Clássica greco-romana formou o cidadão; a Educação Medieval formou o cristão; a Educação renascentista formou o gentil-homem; a Educação Moderna formou o homem esclarecido; a Educação Nova formou o homem psicológico; cabe à Educação Espírita formar o homem consciente.(...)

Só a Educação Espírita poderá orientar os Espíritos para a formação do Homem novo, consciente da sua natureza e de seu destino, bem como de pertencer à Humanidade cósmica e não aos exíguos limites da humanidade terrena.(...)

A função da Educação Espírita é, portanto, a de abrir perspectivas novas ao processo educacional, adaptando-o às necessidades novas que surgiram como desenvolvimento cultural e espiritual do Homem. (...)

Toda pedagogia se funda numa filosofia. (...)

Os fundamentos pedagógicos do ensino de Jesus estão na sua concepção do mundo, abrangendo o Homem e a Vida. Essa cosmovisão se opõe à concepção pagã e à concepção judaica. (...) Ela modifica a visão antiga do mundo e essa modificação atinge a todas as filosofias do tempo, não obstante os pontos de discordância entre elas. (...) O culto a Deus, por exemplo, é virado pelo avesso. (...)

Jesus possui todas as qualidades do educador perfeito. (...) Os ensinos de Jesus são sempre adaptados aos ouvintes. Ele pronuncia as suas palavras de forma compreensível para todos, sempre nas ocasiões mais oportunas. Recorre freqüentemente às imagens e parábolas, dando maior plasticidade às suas idéias. (...) A pedagogia do Mestre é, também, gradual. (...) Semeia e espera. (...) Como todo educador genial, Jesus emprega em alto grau a arte de interrogar, de expor, de excitar o interesse dos discípulos. (...) Seus colóquios decorrem sempre num ambiente de incomparável simpatia. (...)

Agosto, mês de Bezerra de Menezes

Fortes e boas recordações nos ficaram deste Espírito dedicado ao bem da Humanidade. Longe das características do endeusamento que lhe fazem, Bezerra é um Espírito que não mede esforços para contribuir com todos aqueles que necessitem de saúde física e mental e que busquem elevar-se pelos ensinamentos de Jesus e do Espiritismo.

Examinando seus escritos do tempo de encarnado e de agora, destacam-se para nós sua busca de entender e esclarecer as lições de Kardec e de promover a união entre os espíritas.

Nesse aspecto da união, respeitando todos aqueles que acreditam que uma Instituição possa ser responsável por essa tarefa, congregando espíritas, declaramos que nosso entendimento é diverso. As Instituições têm seus objetivos dentro do trabalho espírita, nesse mundo, e, pelo fato de permitirem uma ação coletiva, colaborar para que as pessoas se unam e se solidarizem. Mas seria esta a essência do pensamento de Bezerra?

Haveria na Doutrina algo que pudesse ser comum a todos os espíritas, de forma a ser um ponto indiscutível de encontro e união? Que a todos ligasse? Uma espécie de marca registrada dos espíritas do mundo?

Kardec respondeu a essa pergunta, dizendo que a Doutrina só é invariável quanto aos seus Princípios!

Dessa forma, estudando, divulgando, ensinando os Princípios do Espiritismo, o Grupo CEM está certo de cumprir sua parte nesse inadiável e inteligente processo de união, pois dela vem a força de que cada um necessita.

Não pensamos que nosso curso seja integralmente o que desejava Kardec (projeto 1868) e o que esperava Bezerra. No decorrer do tempo, haveremos de melhorá-lo, como já o fizemos inúmeras vezes. Por hora ele tem permitido um amplo entendimento de Kardec e dos Espíritos da Codificação.

Espírita: Conheça os Princípios da sua Doutrina!
Fonte: O Livro dos Espíritos / Kardec
Colaboração: CIEDE - Curso de Princícios Espíritas, do CEM


Como explicar a clarividência?
Rita Foelker

As pessoas lhe deram muitos nomes: sexto sentido, PES, clarividência...

E há grande bibliografia sobre o assunto, o que pode deixar alguém realmente confuso sobre as nossas possíveis percepções espirituais e suas interpretações.

Chamando este sentido da alma de vista espiritual ou psíquica, Allan Kardec esclarece que ela é possível graças às propriedades do perispírito, nosso corpo fluídico. Além de ser o órgão sensitivo do Espírito - o intermediário através do qual ele recebe todas as sensações - o perispírito não está preso aos limites do corpo físico: ele é expandido ou retraído pelo Espírito que, com isso, pode ampliar suas percepções dentro de suas possibilidades atuais e de acordo com a maior ou menor evolução moral que tenha. Por isso, a sensibilidade de cada um não é idêntica, nem em extensão, nem em penetração, sendo mais obscurecida quanto mais grosseira a constituição do perispírito.

Esta faculdade, comum a todos os Espíritos mas nem sempre desenvolvida o bastante para aparecer, possibilita, entre outras coisas:

  • perceber que tipo de fluidos envolvem um encarnado;
  • registrar ou enxergar o meio fluídico;
  • perceber fatos reais do mundo dos espíritos;
  • antecipar alguns acontecimentos futuros;
  • conhecer doenças, causas e tratamentos;
  • observar fatos materiais ocorridos em lugares distantes.

Porém, como os fluidos são modificados pelos pensamentos, é comum estarmos vendo nossas próprias criações mentais, frutos da imaginação. Esta é a razão porque certas pessoas com fortes crenças religiosas ou filosóficas acabam encontrando, nestas visões, a confirmação daquilo em que acreditam.

Outra situação comum é interpretarmos nossas percepções conforme nossas crenças ou nossa fé religiosa. Assim, um católico pode ver um Espírito superior de aparência feminina e "interpretar" que se trate de "Nossa Senhora."

Por isso, não obstante bons autores tratarem do assunto, muitos oferecem suas próprias interpretações e opiniões, válidas sem dúvida, mas calcadas em experiências estritamente pessoais.

Se desejamos saber mais sobre isto, podemos observar, em nossa vivência diária, tudo que pareça significativo no campo das percepções da alma, e fazer anotações. É importante resistir ao impulso de fazer interpretações imediatas, sobretudo se baseadas em dados de observações alheias. Isto certamente ajudará a aprimorar nossa sensibilidade e diminuirá as chances de nos enganarmos com o significado daquilo que vemos ou sentimos.

Não se trata propriamente de um tipo de mediunidade, já que a mediunidade pressupõe a atuação de um outro Espírito, o que aqui não ocorre. Nada impede, contudo, que um Espírito que deseje comunicar-se com os encarnados se aproveite desta predisposição natural para fazê-lo.

Caminhando...
Calunga/GEEID "Bezerra de Menezes"

Oi, minha gente, fazia tempo que a gente não mais se encontrava para conversar sobre aquelas coisas que às vezes fica um pouco difícil falar, difícil ouvir e difícil realizar. Falo realizar porque tudo na vida ultrapassa o limite do falar e ouvir. Realizar é preciso.

Hoje vamos falar sobre caminhos.

Caminhos que conduzem ao bem, caminhos que conduzem ao mal, caminhos que leval ao nada e caminhos que podem levar onde você determinar e para isso, você só tem que querer e realizar.

Fico no astral, minha morada atual, ouvindo e observando todas estas pessoas aí da Terra reclamando da vida, das dificuldades, das coisas atrapalhadas, emperradas e daquilo que não conseguem fazer.

Olha, minha gente, nessa nossa vida a dificuldade não existe de fato. É a mente que cria a dificuldade. Não bastasse criar a dificuldade, ainda alimentam a sua obra-prima com o requinte dos pensamentos negativos, de angústia, de desespero, de temor e incerteza diante da vida, Mas você sabe, além do medo, qual é o maior alimento para as dificuldades: é a incrível capacidade que você tem de se esquecer que foi criado com um coração feito para amar.

Acreditando ou não, tenho observado que de repente você fica sofrendo de uma amnésia temporária. É como o esquecer de si, perder o rumo de encontro consigo, do encontro com o deus interior, todo força, poder e maravilha.

Você já ouvir falar do amor caminho? E do caminho do amor?

Muito bem, resolvi neste instante que vou trocar a palavrinha caminho pela palavrinha estrada. Vou chamá-la de estrada. Vou chamar caminho de estrada, mas de estrada do amor.

Você já ouviu falar da estrada do amor?

Ela é uma grande avenida, cheia de flores multicoloridas e perfumadas com a essência de seus melhores sentimentos e que espalha para seus caminheiros o perfume da renovação e beleza para essa vida da gente.

Quando a gente começa a se preparar para por o pé nessa estrada, a poeira se levanta e muitas vezes pensamos em desistir, desistir de encontrar e seguir o caminho, o caminho verdadeiro.

Você pode imaginar o que é encontrar o caminho verdadeiro?

Encontrar o caminho verdadeiro é encontrar e seguir as pegadas de Jesus, o seu projetista, arquiteto e construtor.

Para seguir nessa estrada, minha gente, nada mais é preciso que abrir o coração, amar e sentir.

Nada mais é preciso que abrir o coração, deixar-se ser, abandonar-se naquele calor gostoso de ser você mesmo, de sentir-se, perceber-se como criatura de Deus, de se amar, amar e viver. Que fonte!...