Untitled
Coletânea de textos publicados no
Ano II - Edição nº1 - Julho de 1998

Estamos aniversariando!

Um ano faz que criamos a coragem de concretizar um antigo plano e um compromisso que já nasceu conosco, de transformar em letras algumas idéias e estudos da Doutrina, os quais tem tudo para serem úteis.

Estamos felizes com o apoio espiritual e humano para que continuemos, sem esmorecimento e sem interrupção. É isso o que pretendemos fazer, contando sempre com esse mesmo amparo e com a participação daqueles que sintam ser este o caminho da sua vida, como o é da nossa, sentimento que temos a cada dia com maior clareza.

Um jornal a serviço do Espiritismo, dos espíritas e de uma melhor forma de viver, com base no que vamos entendendo da nossa Doutrina.

Oferecemos esta pequena semente para Kardec e para Amèlie, patronos maiores das atividades espíritas sérias e para todos os verdadeiros amigos e irmãos que têm enriquecido e sustentado as nossas vidas.

E pedimos que contatem conosco, os companheiros e amigos da Doutrina que apreciam e utilizam este jornal como sugestão para reflexões, para palestras, para análises e desenvolvimento de raciocínios espíritas. Ou para sugestões e colaborações.

"Espíritas: amai-vos e instruí-vos!"


Verdade e Realidade

Saindo das conotações exclusivamente dicionariais, Verdade é a palavra que representa o que não muda, por exemplo, as Leis Universais, tais como a Reencarnação, a Imortalidade dos Espíritos, a Comunicabilidade com os Espíritos, os Fluídos, e outras.

Realidade é aquilo que conseguimos perceber pelos órgãos dos sentidos ou espiritualmente. Mas a realidade é pessoal (pois cada pessoa tem, da mesma situação, a sua percepção, que nunca é exatamente igual a dos demais). E a realidade é mutável, porque a cada momento muda, para cada um de nós, na medida em que acontecem coisas e tomamos atitudes físicas ou mentais. Portanto, a realidade é circunstancial.

Obviamente, a realidade é sempre fruto do que pensamos, pois o pensamento é a causa dos atos e palavras. Por exemplo: ficamos doentes. Diante disso podemos pensar que é uma coisa ruim, ou pensarmos que "peguei" de alguém, pois todo mundo está doente ou observarmos quais pensamentos temos cultivado, para resultar na diminuição da resistência corporal.

Alguém é rude conosco. Diante disso podemos escolher ficar ofendidos, desprezar a pessoa ou considerar que ela está mal consigo, por isso maltrata os outros.

E assim por diante...

Pensar que realidade é verdade nos leva a considerar que tudo é sempre igual, que os pensamentos devam ser mantido para sempre, um comportamento de alguém deve ser sempre o mesmo, um conceito deve ser para sempre ou uma situação que vivemos será sempre como é. Isso facilita a rotina, o saudosismo e a conservação de realidades que poderiam passar mais rapidamente se não fossem "seguras" por nossa forma de pensar.

Sim, é isso mesmo! Seguramos com o pensamento situações, dores, mágoas, sofrimentos que estamos passando ou já passamos, mas que são conservados como realidade atual e permanecem ocupando espaço em nosso coração e em nossas idéias, não permitindo que a renovação se faça e que progridamos de forma mais rápida e mais consistente na vida. Mantemo-nos amarrados, escravizados mentalmente por pessoas, circunstâncias, acontecimentos, que se forem vistos como passageiros, como realidade circunstancial, logo deixarão de existir.

É preciso observarmos se não temos a atitude "do permanente", funcionando como hábito mental, sem nos darmos conta disso. Ou seja, não racionalizamos que algo será para sempre. Mas, assim que ocorre, tomamos a atitude íntima de que "de agora para diante será assim..." e essa atitude passa a coordenar os nossos pensamentos e em conseqüência, os nossos sentimentos em relação ao fato.

Observar-se é o primeiro passo para o auto-conhecimento.

Observemos se estamos conservando realidades circunstanciais, impedindo que necessárias e saudáveis mudanças sejam outras tantas realidades circunstanciais, que se transformarão em outras, e assim por diante, no fluir normal da vida , onde nada nos amarre e sim tudo nos liberte, aproximando-nos cada vez mais da Verdade.

Constância


Intuição e Naturalidade

Intuição e naturalidade é o que vamos destacar do muito de instrução e de exemplos trazidos por nossa querida Oneida Terra, nos encontros desse mês passado.

Por que desprezar esse guia infalível que temos, na intuição, que a cada momento da nossa vida pode nos trazer luz e discernimento?

Kardec, em O Livro dos Médiuns, cap.XV da Segunda parte, estuda Médiuns Intuitivos (item 180) e Médiuns Inspirados (item 182), deixando claro que inspiração é uma forma de intuição, na qual é mais difícil distinguir o pensamento que nos é sugerido. Mas o Codificador nos deixou critérios excelentes para entender e usar desse recurso natural e ótimo. Ele diz:

  • o que caracteriza a inspiração é a espontaneidade;
  • recebemos inspiração de Espíritos que nos influenciam para o bem e para o mal;
  • essa comunicação mental é, principalmente, a ajuda dos que desejam o nosso bem e cujos conselhos rejeitamos com muita freqüência;
  • aplica-se a todas as circunstâncias da vida, nas resoluções que devemos tomar ou em alguma coisa a fazer. Caso a idéia não surja imediatamente, é preciso esperar;
  • ter que esperar é a prova de que as idéias são sugeridas, pois se fossem nossas estariam a nossa disposição; - nesse sentido se pode dizer que todos são médiuns, pois não há quem não tenha os seus Espíritos protetores e familiares, que tudo fazem para transmitir bons pensamentos aos seus protegidos;
  • se nos compenetrarmos dessa verdade, com mais freqüência recorreremos ao nosso anjo guardião;
  • os Homens sábios, os artistas, utilizam-se constantemente da inspiração, o que só prova ser um recurso importante de criação de idéias novas e soluções diferentes daquelas que poderíamos encontrar sozinhos;
  • buscar inspiração é evocar a ajuda espiritual.

Ficar retido nos pensamentos é limitar-se, pois estes são fruto do que sabemos e podemos racionalizar. A intuição é a expansão desses recursos e gera infinitas possibilidades que estão muito além do que podemos pensar.

A intuição é patrimônio da humanidade ou seja, todos podemos acessá-la, treiná-la e desenvolvê-la, conforme queiramos e nos dispusermos a alcançar.

Por outro lado, sendo espíritas, nada mais coerente do que vivermos utilizando, de forma mais consciente e ativa, os recursos mediúnicos e os da alma, já conquistados nas múltiplas encarnações.

O Professor Herculano Pires colabora com esse assunto de forma brilhante, destacando que "nunca prestamos a devida atenção aos nossos processos mentais. Kardec nos oferece uma regra de ouro quando diz que o que caracteriza a inspiração é a espontaneidade. A Psicologia materialista vai, hoje, se aproximando desse princípio, graças as pesquisas no campo da telepatia. Embora não considere, ainda, o pensamento dos Espíritos, já admite que recebemos constantemente pensamentos alheios. A observação do Codificador permite-nos separar, perfeitamente, o pensamento que produzimos, dos que nos são sugeridos."

"A reflexão mental, continua o prof. Herculano, é uma busca de sintonia. Nossas mentes não vivem isoladas, mas num processo de comunhão espiritual que o Espiritismo revelou e pesquisou. Quando pensamos seriamente num problema, atraímos a colaboração de outras mentes, encarnadas ou desencarnadas. Mas o orgulho humano dificilmente permite que certas pessoas aceitem essa verdade, que tudo fazem para negar e rejeitar."

A naturalidade vem como postura, atitude interna adequada e oportuna, para ocupar o lugar do temor, da sensação de incompetência, do artificialismo, das técnicas de convivência, dos esconderijos pessoais e das formas habituais de ser, que têm nos afastado dos Espíritos elevados e dos nossos próprios recursos de percepção, sensibilidade e discernimento.

Grupo CEM - Objetivos

O CEM-Grupo Espírita de Iniciativas Doutrinárias tem a finalidade de fortalecer doutrinariamente Centros, Grupos e Instituições Espíritas, através de cursos, programas de estudos, orientações para dirigentes e trabalhadores, organização e direção de reuniões e pesquisas.

Nosso trabalho baseia-se em estudos, orientação espiritual, prática e constante processo de renovação e aprimoramento, sempre segundo Allan Kardec e tendo em mente os Princípios do Espiritismo.

Não fazemos arregimentação ou filiação de Centros, bem como não somos coligados a nenhum movimento, embora colaboremos quando e onde considerarmos ser coerente com a tarefa que abraçamos.

Uma listagem de nossos trabalhos pode ser encontrada na contra capa de qualquer de nossas apostilas.

A frase abaixo é o lema de 1998 de uma campanha permanente do CEM, para a divulgação de O Livro dos Espíritos.

Espírita, conheça os Princípios da sua Doutrina !