Mediunidade e Influência Espiritual
Cristina Helena Sarraf

Kardec definiu a mediunidade como sendo uma faculdade inerente aos seres humanos, sem distinção de raça, cor, sexo, nacionalidade, crença ou grau de cultura. Demonstrou que essa capacitação humana sempre existiu e que sua finalidade é a comunicação entre encarnados e desencarnados. Mostrou que a mediunidade está ligada ao corpo físico, na medida em que este participa do processo que se estabelece, de ligação mediúnica entre o encarnado e os desencarnados que querem se comunicar. No entanto, a faculdade é do Espírito, pois a matéria é apenas um instrumento temporário e inerte em si, necessário para que haja a vida em um mundo materializado como o nosso. Aliás, os Espíritos habitam mundos coerentes com o seu grau evolutivo.
Kardec também explicou que como todos somos Espíritos, é natural que entre nós haja atração e ligação, estejamos encarnados ou em erraticidade (desencarnados), mas que esses vínculos nada têm a ver com a mediunidade, pois são fruto da sintonia, das afinidades e dos pensamentos semelhantes.
Então, duas coisas acontecem: ligação espiritual e mediunidade. São parecidas mas distintas. As ligações são naturais e dependem de haver pensamentos e/ou maneiras de ser próximas, que se entrosem. A mediunidade também é natural, mas funciona posteriormente ao estabelecimento da ligação espiritual e dá condições de perceber os Espíritos e entender seus pensamentos e sentimentos. Todos atraímos Espíritos. Mas nem todos podemos percebê-los ou entender o que pensam, já que a mediunidade, em cada pessoa, está em diferentes graus de desenvolvimento, por mais que todos sejamos dotados dessa potencialidade.
Um grande equívoco que costuma acontecer é acharmos que os nossos problemas espirituais são causados pela mediunidade. Dores, dificuldades de convivência, perturbações, interferências, influências, conflitos, complicações, são reputados como conseqüência da faculdade mediúnica. Isso porque, erroneamente entendida como causa das ligações espirituais, fica sendo culpada pela presença e interferência de Espíritos maldosos, vingativos ou inimigos. Quando na verdade, a mediunidade é a grande solução, o grande recurso para que se perceba e até seja possível entender esses e outros Espíritos que estão ligados ou que ligam-se momentaneamente conosco.
Em O Livro dos Médiuns, segunda parte, capítulo XXI, item 232, podemos verificar com clareza que a simples presença dos Espíritos não é um fato mediúnico.
Na tradução do prof. Herculano Pires há uma nota do tradutor muito interessante e elucidativa: A presença dos Espíritos ao nosso redor não depende da mediunidade, nem de qualquer espécie e evocação, da mesma maneira que as mensagens radiofônicas estão sempre no ar, mesmo que não tenhamos um rádio ou não o liguemos. Quando Kardec diz que a mediunidade nada tem com isso, pois é apenas um meio de comunicação, esclarece que a presença dos Espíritos não é um fato mediúnico, porque este implica a percepção dessa presença e a comunicação com os Espíritos.
Deduz-se então, que as influências espirituais que notamos conosco precisam ser melhor analisadas, sejam boas ou ruins:
- em princípio são fruto de nossa forma de pensar e das amizades e compromissos que temos. Essa é a lei natural da sintonia e dos vínculos entre Espíritos mais ou menos afins ou ligados por sentimentos, familiaridade e atividades em comum;
- médiuns que atuam em reuniões mediúnicas, as vezes precisam facilitar a ligação com Espíritos que serão atendidos ou que venham para orientar, os quais, depois de feita a ligação, podem influenciar em outras horas, fora da reunião. Mas, não é possível estabelecer uma ligação se entre eles não houver, pelo menos um ponto em comum, na medida em que o ato mediúnico depende de aceitação, da abertura perispiritual e do uso do conteúdo mental do médium.
A mediunidade permite distinguir, num mínimo que seja, uma má influência, o que dá chance de melhorar a postura mental, pois são os pensamentos que facilitam e alimentam a ligação, o que também faz de nós responsáveis pelo tipo de influência que estamos exercendo sobre os que estão ao nosso redor. Como o grau de desenvolvimento mediúnico varia de pessoa para pessoa, pode ser difícil perceber essas ligações, mas nos resta observar que tipo de pensamentos estão predominando no dia-a-dia e, pela lei da semelhança deduzimos quem está nos acompanhando espiritualmente.
Se a ligação com Espíritos infelizes ou vingativos foi fruto do trabalho mediúnico, cabe-nos, da mesma forma, observar o que pensamos e disciplinar um pouco o pensamento, sabendo que ligados com eles podemos ajudar para que aprendam algo melhor. Temos tido tantas lições de Jesus e do Espiritismo, e só nos falta um pouco de coragem de pô- -las em prática, sem pretensões. E com isso, estaremos colaborando de forma mais eficiente com os Espíritos superiores que sempre contam conosco, nesse esforço conjunto de esclarecer e aliviar, à luz dos princípios espíritas.

13. Naturalidade
Gilberto / Rita Foelker
Aceitar a naturalidade das comunicações mediúnicas nos momentos de reunião do grupo ou, alhures, em meio às ocupações rotineiras ou nos momentos de repouso, é tão somente reconhecer, na mediunidade, as características de um sentido espiritual de que não nos podemos desfazer e retomar, a bel prazer.
Percepções mediúnicas podem estar presentes com freqüência em nossas vidas, sem que delas nos tornemos dependentes e sem que tenhamos de abandonar os afazeres normais.
Nenhuma pessoa em equilíbrio passará horas seguidas a ocupar-se dos misteres mediúnicos, no entanto, é inegável que intuições, vidências ou percepções outras não têm hora ou lugar específico para acontecer. Um aviso, uma inspiração, podem ser maneiras dos Benfeitores Espirituais se achegarem a nós, quando o temor, a dúvida ou a revolta estiverem prontos a envolver nossos corações.
Os contatos com a Espiritualidade serão benfazejos quando, ao favorecer a harmonização íntima e a compreensão superior das situações que atravessamos, nos permitam ajudar com nossa fé e nossas palavras aqueles que a vida aproximou de nós. Quando, porém, tornarem-se motivo de alienação dos deveres diários, fuga da realidade e do convívio com os irmãos, é necessário encontrar, na balança das necessidades diárias, o equilíbrio entre as tarefas mediúnicas e as solicitações da vida física.
Edições anteriores
A equipe do Jornal do CEM agradece a todos os companheiros que ajudaram a tornar nossa homepage mais completa, encaminhando edições impressas que não mais possuíamos em arquivo.
Ainda nos faltam algumas: Ano I - nº 11 (Maio/98), Ano II - nº 7 (Dez /98), nº8 (Jan/99) e nº10 (Fev/99)
Por isso, se você tiver algum dos jornais acima, entre em contato conosco pelo telefone: (11) 61928137 ou pelo e-mail: jornalcem@ieg.com.br.
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Centro Espírita como espaço multifuncional
Rita Foelker
Antigos Centros Espíritas eram projetados para atividades muito específicas como palestras, passes e reuniões mediúnicas. Neles, é comum encontrarmos móveis pesados, cadeiras fixas no chão ou unidas umas às outras, que dificultam a mobilidade e o aproveitamento dos ambientes para outras atividades.
No modelo tradicional, os Centros têm dependências com características e usos bem definidos: salão principal, sala de passe, uma ou mais salas de reuniões. Algumas não prevêem, sequer, a necessidade de uma lousa. Às vezes, o uso de recursos como slides ou retroprojetor fica prejudicado pela falta de uma superfície uniforme e não-reflexiva, ou por outros obstáculos.
Os educadores, não tendo lugar adequado para trabalhar com as crianças, precisam se adaptar ao que já existe e, nem sempre, de maneira satisfatória.
Pensando nestes problemas e levando em conta a evolução dos recursos didáticos e das metodologias de ensino, imaginamos o Centro Espírita do presente (e do futuro) como um espaço multifuncional.
Imaginamos um conjunto de locais abertos ou fechados com diferentes possibilidades de utilização, onde podemos nos sentar e assistir a uma aula, mas também podemos nos reunir em círculo ou em grupos; onde se afastam as cadeiras para realizar dinâmicas, mas também se assiste confortavelmente a uma fita de vídeo; onde se espalham colchonetes para relaxamento e onde poderíamos, talvez, contar com o aconchego de tapetes (os emborrachados são lindos!) e almofadas - especialmente nos encontros de jovens e crianças. Porque não criar jardins com mesas e bancos, onde se pode estudar ao entardecer, ao som de passarinhos?
Um item essencial é o aparelho de som. Sabemos quanto a música influencia e modifica estados emocionais e, também, o quanto é importante poder ouvir, alto e claro, a fala do expositor. Todo esforço de pesquisa e preparação do tema pode ser perdido, se o público não consegue ouvir ou entender o que se diz. Uma casa espírita sintonizada com o presente e que respeita seu público precisa pensar em qualidade, a qual sempre se reflete em melhoria de resultados.
Criar espaços inteligentes e adaptáveis às características dos trabalhos e estudos, abandonando a rigidez e aumentando a eficiência dos serviços prestados não é apenas moderno, é uma idéia que concorda perfeitamente com o bom-senso e o espírito inovador de Kardec.

A partir do 18 de abril de 2003, lembre e divulgue essa idéia:
ESTÁ EM SUAS MÃOS MUDAR A VIDA PARA MELHOR: LEIA/ESTUDE O LIVRO OS ESPÍRITOS, de KARDEC
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CEM - Grupo Espírita de Iniciativas Doutrinárias
Fone/Fax: (011)6192-8137 - Cristina Helena Sarraf (Direção geral)
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