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Coletânea de textos publicados no
Ano VII - Edição nº1 - Junho de 2003

Movimentos da vida
Rita Foelker

A idéia implícita em todos os movimentos da vida é de que você aprenda alguma coisa. E não existe melhora sem aprendizado, porque não há sentido em melhorar se a lição ainda não chegou ao coração. E é por isso que quando nós falamos, e quando nossa amiga Anália diz: paciência, cada coração tem seu tempo, é isto que acontece. Porque desejamos a melhoria, mas fechamos as portas para o aprendizado. E nós, Espíritos, desejamos que vocês melhorem, mas não podemos apressar o rio. (Gilberto através da psicofonia, em 13/03/03)

A Lei de Evolução está presente em nossas vidas, quer percebamos ou não. Há momentos em que tomamos consciência disto, em geral, quando somos chamados a uma determinada atitude interior, perante um fato que nos abala psicologicamente. A tentativa de entender, buscando um sentido metafísico para aquilo que materialmente não tem explicação, abre a possibilidade de ampliar nossa visão das coisas.

Gilberto nos diz que não apenas alguns, mas todos os movimentos da vida, ou seja, tudo o que parece incidental ou eventual, trágico ou injusto, traz a intenção, dentro de um universo planejado e governado por uma Inteligência Suprema, de que possamos progredir, aprender, estabelecer relações que criem novos entendimentos.

Nem sempre pensamos na vida como um movimento inteligente rumo à melhoria de si mesma, concebida para que caminhemos passo-a-passo em direção ao progresso. Tomamos as rédeas, nos fechamos para o que não se encaixa nos nossos padrões, queremos fazer do nosso jeito e reclamamos do que não estava nos nossos planos. Mas as leis divinas não nos querem neste sofrimento, elas pedem superação e crescimento; então, elas nos conduzem amorosamente às lições que ainda não compreendemos.

Nem sempre assumimos a parte do trabalho que nos compete. Por isso Gilberto observa que, apesar do desejo legítimo de melhorar, fechamos as portas da alma para o que é preciso aprender. E não há como melhorar se não melhoramos nosso coração, se não o abrandamos e adquirimos a capacidade de mais amar e perdoar, se não nos fazemos humildes nas nossas limitações para, aceitando-as, ter condições de superá-las.

Enquanto desconhecemos o funcionamento das leis, somos orientados, ora pelas sensações de dor e desconforto ou de prazer e plenitude, sempre pelos efeitos das nossas escolhas. Mas quando compreendemos o sentido evolutivo da vida e fazemos a nossa parte, com um olhar mais profundo, buscando por trás dos fatos as lições que precisamos (e merecemos) aprender, não temos mais de sofrer tanto para acordar, pois já estamos acordados.

Podemos passar muito tempo desatentos à harmonia e precisão dos movimentos da vida, até o dia em que as encontramos, e então começaremos a viver em estado de serenidade e gratidão.

A família na visão espírita
Cristina Helena Sarraf

Pensar na família sob a visão espírita é pensar nos mecanismos ainda muito desconhecidos para nós, da afinidade, das ligações emocionais e espirituais que se configuram nas relações e nos compromissos pessoais e coletivos, advindos de cada reencarnação.

Muitos imaginam, até porque certos livros citam situações construídas assim, que todas as famílias sejam constituídas por um plano anteriormente feito. Há as que se fazem assim e as que não. Das múltiplas ligações fortes e de comprometimentos que temos, fruto das outras vidas, podem acontecer uniões, e destas vem os filhos, que seriam outros, caso os pais fossem outros... Que diferença faz isso? Diferença alguma no final das contas, mas muita diferença quando olhamos pelo aspecto de que há um grande despreparo para o casamento, e costuma ser uma boa saída para os nossos descabeçamentos e leviandades, culpar o planejamento pré-reencarnatório. Cabe ressaltar que somos dotados de livre arbítrio e que dele vêm todas as nossas decisões, equivocadas ou acertadas, até porque só se acerta naquilo que se tem experiência e para tê-la é preciso passar pelos muitos equívocos e acertos, ganhando discernimento.

Seja como for feita a ligação conjugal, está constituída uma família. Filhos, quando existem, amplificam e enriquecem as vivências dos pais, porque cada pessoa que entra numa família, altera as relações já existentes.

Muita gente também pensa que um núcleo familiar só é bom se for constituído por pai, mãe e filhos, mas essa composição tradicional tem sido alterada pelas necessidades e pelo livre arbítrio das pessoas, mostrando que o essencial é haver um nível alto de afinidade ou, aquele sentimento tão propalado e tão necessário que é o amor.

Manter a família por obrigação pode resolver ou amplificar dificuldades psicológicas e de compreensão mútua. Quando der para resolver, as pessoas se aproximam e se irmanam. Quando não, aumentam as indisposições, as dores e as "saídas pela tangente", das relações paralelas a familiar.

Nas famílias estão os grandes amores e os grandes ódios... Mas também pode estar a mais variada gama de ajustamentos, desencontros ideológicos, carências, temores, máscaras, domínio, subjugações, injustiças, dependências, paternalismo, mentiras, agressividade, ocultamento de personalidade, estímulos à vida, forças para crescer, desinibições, apoio, companheirismo, exemplos bons e maus, solidariedade, compreensão, ternura e dor.

Se pudesse escolher... No entanto escolhemos sempre e sempre! E cada um tem o precisa, está onde precisa, com quem precisa e da forma que precisa, para ajustar-se à vida, compreender-se e crescer o que pode, em busca de si próprio e de sua grandeza espiritual. O que não tem nada a ver com sacrifícios, abstinências, sofrimentos escolhidos e esquecimento de si. Mas tem tudo a ver com o perceber-se e desenvolver potencialidades, para ser feliz e levar felicidade onde esteja.

Há um enorme engano em se pensar que seu sacrifício, sua amargura e sua frustração servem para trazer- lhe elevação e amor ou para beneficiar seus filhos. Muito ao contrário, servem para aumentar desequilíbrios e para dar insegurança aos seus, porque a elevação nasce das escolhas de pensamentos que resolvem, o amor cresce pelo uso, a começar consigo mesmo. E o exemplo de aprender a viver bem com o que tem "é tudo de bom" na família.

Pais que tratam os filhos como coitadinhos e lhes impedem as experiências, estão perturbando a naturalidade da vida e criando dependências que depois lhes trarão muito choro e arrependimento.

Embora possam ser difíceis, as experiências necessárias trazem maturação, responsabilidade e fortalecimento espiritual, além de autenticidade e disposição de enfrentar as circunstancias da vida, garantindo-se. E garantir-se é o maior sinal de independência, pois revela um Espírito já firme, ciente de sua individualidade e de seu papel no mundo.

A que distância você e seus familiares estão disso? Encontrar essa medida é saber o quanto cada um precisa colaborar e amar o outro, estando ao seu lado nas boas e nas más horas, para que afinal possam, um dizer ao outro: eu me garanto e quero você junto de mim, por infinito amor e porque juntos crescemos e podemos fazer com que o mundo seja melhor, mesmo apenas a parte do mundo que nos cerca!



15. Passividade
Gilberto / Rita Foelker

Contribuir. Somar.

O médium tem participação ativa nas comunicações dos Espíritos e no contexto da reunião.

Nas comunicações, dizer que o médium oferece aos Espíritos "passividade" cria, algumas vezes, ensejo a um equívoco de interpretação.

O médium não se anula, não abdica de sua vontade, nem de seu autodomínio; não atua como um aparelho telefônico sem qualquer influência no processo de intercâmbio com a Espiritualidade.

Passividade significaria, outrossim, que o médium abre o campo mental e, confiando na orientação superior dos trabalhos, permite-se assimilar as ondas mentais e magnéticas de criaturas presentes, para que possam expressar suas necessidades e opiniões, abstendo-se de interferir, de interpor suas próprias idéias às apresentadas pelas entidades comunicantes.

As conquistas intelectuais e morais do médium têm capital importância na qualidade das comunicações e no próprio comportamento dos Espíritos comunicantes, seja qual for a classe a que pertençam. Afinal, a sua qualidade fluídica também se transmite ao Espírito a ele ligado.

Se os pensamentos pertencem aos desencarnados, do médium procede todo o arcabouço lingüístico.

Também os bloqueios, inibições e outras peculiaridades de sua psicologia afetam decisivamente a produção mediúnica e a inteligibilidade das idéias expostas.

Na reunião, o médium compenetrado de suas funções atua como o fiel da balança do equilíbrio, identificando perturbações no ambiente, registrando as inspirações dos Espíritos Orientadores, atendendo ao chamado intuitivo para um socorro mais adequado a certas ocorrências e expondo suas impressões e sensações que podem auxiliar nas avaliações a que toda tarefa deve se submeter, de tempos em tempos.

Ao médium, como aos demais participantes, cabe pronunciar-se a respeito das sensações e sentimentos atuais ou posteriores à reunião, dos procedimentos que achar inadequados, oferecendo sugestões sempre no sentido de melhoria do desempenho da tarefa em seus múltiplos aspectos.

Como se vê, o papel do médium pouco tem de passivo, observando-se apenas que suas palavras tenham sempre o condão do amor e o objetivo de servir, na construção da harmonia coletiva.


Ainda faço o que não quero e não faço o que quero, exatamente naqueles pontos que mais preciso mudar.

Exatamente naquilo para que peço ajuda e a recebo, eu mesma não me garanto. Por quê?

A imagem que ilustra nosso Jornal do CEM, este mês, foi produzida pela amiga Romy Bastos. Suar arte também esteve conosco em alguns números anteriores.

Se você quiser conhecer mais do trabalho da Romy, aprender dicas sobre internet e conhecer outros textos selecionados e trabalhados artisticamente por ela, visite o seu site: www.robastos.hpg.com.br.

Obrigada, Romy!


CEM - Grupo Espírita de Iniciativas Doutrinárias
Fone/Fax: (011)6192-8137 - Cristina Helena Sarraf (Direção geral)

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