
7. Flexibilidade
Gilberto/Rita Foelker
A despeito do rigor com que se consideram certas regras para a prática mediúnica, a mediunidade não necessariamente se lhes submete.
Nos trabalhos mediúnicos, sempre será necessária uma certa flexibilidade, não quanto aos princípios espíritas que norteiam as ações, nem quanto à moral de médiuns e Espíritos, mas quanto aos procedimentos arbitrados como os melhores para circunstâncias específicas.
É importante que o médium possa sentir-se confortável em seu raio de ação, que não seja tolhido por pareceres que nada têm de doutrinários e que possa, se sentir tal impulso, levantar-se, gesticular, falar com mais veemência, aproximar-se de um dos presentes, desde que nenhuma destas atitudes denote descontrole sobre si mesmo e predomínio de um Espírito que vem somente tumultuar.
Se mediunidade é expressão de pensamentos, porque não expressá-los (se o médium tiver condições) de forma mais completa, associando-se, à palavra falada, as expressões faciais e gestuais que nos possibilitem compreender melhor o modo de ser da criatura que nos fala e que conta, para ser compreendido, unicamente com os recursos oferecidos pelo médium e a harmonia do ambiente construído pelo grupo?
Muitas vezes, além dos médiuns, os Espíritos se vêem prisioneiros de normas rígidas impostas por dirigentes avessos à espontaneidade e ao novo. Revelam, estes irmãos encarnados, a impressão da própria incapacidade para administrar situações que fujam da rotina. Sob a justificativa do zelo pela prática espírita genuína, amarram e amordaçam criaturas que tantas vezes, só desejam expandir seu carinho e sua afetividade.
A comunicação mediúnica e a expressão do Espírito não são somente verbais, não podem ser reduzidas a palavras ditas ou escritas. Somos seres integrais, exteriorizando aquilo que somos em nossos fluidos, emoções, pensamentos, sentimentos e atos.
Fortalecendo as partes de cada reunião
Cristina Helena Sarraf
Uma das ótimas aplicações da idéia de Kardec sobre o uso eficiente da comunhão do pensamento, é usa-la para fortalecer cada parte de uma reunião.
Se a comunhão do pensamento se caracteriza por haver um pensamento em comum entre todos os que participam de algo, é preciso que todos conheçam o objetivo do que fazem, para ser possível estabelecer esse pensamento em comum.
Por exemplo, supondo que uma reunião tenha quatro partes: prece inicial, estudo de O Livro dos Médiuns, exercícios mediúnicos e prece de agradecimento, para que os componentes dela possam estabelecer a comunhão de pensamentos é preciso que cada parte esteja bem objetivada. Ou seja, qual o objetivo de uma prece inicial? Certamente é para centralizar os pensamentos, acalmar os sentimentos e harmonizar o quanto possível o ambiente. Mas não é apenas o coordenador que faz isso, e nem conseguiria. São todos os que formam a reunião, cada um dando a sua quota de elevação mental (postura de prece!) e unindo-se fluidicamente, com o pensamento de criar harmonia. Todos mantendo essa postura íntima, está estabelecida a comunhão de pensamentos que harmonizará o ambiente e gerará uma prece eficiente. E qual o objetivo da segunda parte? Estudar. Ou seja, haver análise de frase por frase, sem interpretação e sim com a melhor intelecção possível, para que haja entendimento do que está escrito, do que o autor escreveu. Para haver comunhão de pensamentos é preciso que todos se coloquem nessa posição mental de entender o que está escrito, mas cada um ligado mentalmente com os outros, para fluir entre todos, a condição analítica do discernimento e do entendimento. Um estudo assim é extremamente produtivo. Qual o objetivo dos exercícios mediúnicos? É de aumentar, flexibilizar e especificar os recursos, em cada tipo mediúnico, que uma pessoa já tenha demonstrado possuir. Aqui, a comunhão de pensamentos se faz com todos unidos e permitindo que os Espíritos capacitados para esse treinamento possam se aproximar e trabalhar o potencial dos médiuns. Todos, um ajudando o outro, facilitando a ação espiritual, aumentando a confiança e observando como os fenômenos ocorrem. É hora de exercitar e não de pedir ajuda para um enfermo ou outra coisa. Caso essas posturas divergentes aconteçam, quebra-se a comunhão de pensamentos e aumenta a dificuldade de todos.
Estabelecer o objetivo de cada parte da reunião e criar a comunhão de pensamentos sustentadora e fortalecedora desse objetivo. E quero ver qual reunião será fraca ou tediosa...
Ecologia dos Grupos
Rita Foelker
A ação dos seres humanos sobre o planeta Terra já foi comparada à de um vírus, porque os vírus são criaturas que vivem para se alimentar e se reproduzir, mesmo que destruam o meio onde vivem.
Esta atitude de apenas retirar do meio, para saciar necessidades ou desejos egoisticamente, vem comprometendo nossos recursos naturais (ar, água) e fazendo com que já vivamos em condições precárias, principalmente nas grandes cidades.
Hans, amigo espiritual de nosso grupo, comparava esta atitude à de algumas pessoas que procuram participar de grupos espíritas de estudo e prática da mediunidade.
Cada um tem seu motivo para buscar o grupo: necessidade de conhecimento, de paz espiritual, de fortalecer-se para atravessar uma situação difícil, de confraternizar com pessoas afins - o que é esperado.
Mas se vamos à busca de algo, precisamos encontrar um jeito de também contribuir, de cuidar para que nossa ação não seja simplesmente "predatória". E não se trata só de dinheiro, mas de companheirismo, atenção, solidariedade, fluidos.
Dependendo da natureza da atividade desenvolvida, surge uma série de necessidades a seres atendidas, e não é preciso que apenas uma pessoa ou duas fiquem responsáveis por tudo.
Você provavelmente observou que sempre há água e copos. Alguém teve que providenciá-los. Se as reuniões são gravadas, é preciso pilhas, fitas K-7 e alguém que as transcreva, se for o caso. Se há exercício de psicografia, há folhas e lápis apontados que não surgiram do nada.
Interessar-se pelos companheiros, auxiliá-los de acordo com nossas possibilidades é investir no grupo, melhorando as condições de desenvolvimento da tarefa.
Doar algo de nós mesmos faz tanto bem quanto o estudo levado a sério e as orientações recebidas dos Espíritos. Cordialidade e gentileza fortalecem os vínculos entre os participantes e ajudam o trabalho a crescer em qualidade e resultados.
Cada um retira o que precisa e contribui com o que pode. Assim ninguém se sobrecarrega.
O Trabalhador e a Tarefa
Constância
Quando chega outubro, sempre volta-nos uma grande reflexão sobre a figura do prof. Hipolite e sobre a tarefa de Alan Kardec. Certamente não consideramos que haja duas criaturas, mas pensamos no homem e na tarefa que assumiu pra valer. Pelos próprios passos, a vida do professor foi sendo deslocada para a tarefa de reconhecer "um mundo de coisas novas", através de suas conversas com "as almas dos Homens que já morreram". E daí para a frente, uma grande modificação foi ocorrendo nas atividades e nos pensamentos dele e de sua esposa Amelie. As qualidades do então professor foram sendo aplicadas e ampliadas, no agora pesquisador, cientista de uma nova ciência humana e nos estudos diuturnos, nas descobertas desse mundo novo, no entendimento de suas leis e no profundo discernimento que lhe foi sendo pedido. Afinal, que enorme e que bela responsabilidade, essa de desvendar para a humanidade da Terra a realidade espiritual em que sempre viveu! A coragem, a dedicação e a confiança coroaram-no de êxito.
Quando se pensa no prof. Hipolite e na tarefa de Alan Kardec, outra grande reflexão nos volta... : a pessoa e a tarefa que assumimos,pela própria conta, de melhorarmos a nossa vida ( e por isso, tudo ao nosso derredor), através dos estudos espíritas e da prática deles, no dia-a-dia. Também aqui não há duas pessoas, mas há a pessoa imbuída de uma nova responsabilidade e diante de um mundo de coisas novas que lhe chegam pelos estudos, reflexões e experiências. Nossas qualidades e recursos, agora aplicados e até ampliados nesse empreendimento pessoal de crescimento, estão acompanhados de nossas dificuldades, temores e limitações. O que é perfeitamente natural e por isso não deve criar desânimo ou confrontações, já que os passos que conseguirmos dar sempre dependem de um conjunto de fatores, que incluem o passado, os esforços do presente e o momento íntimo vivenciado agora. O que se espera? A exemplo de Kardec, pensamentos, sentimentos e atos renovados. Coragem, dedicação e confiança criarão o êxito possível.
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