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Coletânea de textos publicados no
Ano VI - Edição nº4 - Setembro de 2002


6. Experiências
Gilberto/Rita Foelker

Experimentar é o caminho da evolução do pensamento.

As hipóteses nascem da dúvida e da criatividade, mas só a experiência nos indica a mais correta e faz com que as idéias se transformem. Só a experiência confere certezas.

As pessoas inteligentes são abertas à experimentação, porque enxergam ali a possibilidade de avançar em entendimento.

Muito embora possamos preferir a segurança dos caminhos já trilhados e dos procedimentos consagrados, não há progresso sem experimentação.

No campo dos potenciais mediúnicos, não é diferente. Ninguém sabe o que é ou como funciona a própria mediunidade, se não se predispõe a experimentar de mente aberta e desprevenida, sem expectativas e deixando de lado os naturais bloqueios.

Tudo o que é novo pode parecer assustador. Na verdade, gostaríamos de apresentar nossos dons quando eles já estivessem plenamente maduros, quando já soubéssemos de antemão de que se trata, com funciona, o que vai acontecer... Tal insegurança reflete nosso receio de que apareçam aspectos de nossa personalidade que gostaríamos de ocultar.

Porém nenhuma criatura encarnada na Terra é um ser acabado, nem no que tange à mediunidade, nem no que se refere à cultura, sentimentos, ética, autoconhecimento. E experimentar é o único meio seguro de ganharmos intimidade com nossa faculdade mediúnica adquirindo, também, conhecimento e segurança quanto às suas possibilidades.


Raciocínios de Krishnamurti (1966)

O aprender como ação, só pode verificar-se quando há silêncio e atenção: nesse estado a mente aprende.

A palavra aprender implica, geralmente, adquirir conhecimentos baseados na experiência e no estudo.Não estamos tratando dessa espécie de aprender, que implica memorizar conceitos e viver segundo eles. Tratamos de uma coisa completamente diferente, ou seja, do aprender ao mesmo tempo que exercemos atividades - aprender agindo; não é"primeiro aprender para depois agir".

O aprender a que nos referimos exige atenção. Quando se presta atenção, seriamente, há nessa atenção um estado e silêncio. Nesse silêncio, nessa atenção há um processo de aprender.

Para se compreender um fato, uma característica pessoal ou como a vida funciona, não há necessidade de opiniões; estas, pelo contrário, constituem um obstáculo. Para podermos investigar temos que estar livres de teorias ou conhecimentos. Sentir-se livre para investigar significa não ter medo; que esteja livre para olhar, observar, criticar, que seja inteligentemente cético e não aceite opiniões. Para podermos caminhar com a luz da nossa própria compreensão, requer-se atenção e silêncio e, por conseguinte, muita seriedade.

Estão-se verificando importantes mudanças no mundo, no campo científico e no campo da medicina. Temos o computador, a automação, que irão proporcionar ao ser humano muito lazer. Ainda não chegou a hora de fruirmos esse lazer, mas está por chegar. Teremos liberdade e lazer em abundância. A ciência também está investigando a questão de prolongar a vida , de gerar filhos por diferentes métodos,,etc. Tudo isso está acontecendo e irá revolucionar a sociedade. A família, as relações entre marido e mulher, tudo vai ser revolucionado. Também ocorre extraordinária mudança no terreno econômico, social, científico, médico.

Que irá acontecer com o ser humano, nesta tremenda revolução?

Temos, pois de aprender de maneira nova, de descobrir uma nova maneira de viver. Para isso temos se investigar o atual estado da mente, da consciência, e ver se é possível operar uma mutação fundamental e radical, para que não sejam aumentados os conflitos e os desequilíbrios, pessoais e coletivos. Até mesmo a pressa de acompanhar tudo que ocorre ou a desatenção quanto aos valores aceitos, estarão aumentando a desarmonia e a guerra, mesmo que oculta.

Portanto, aprender ao mesmo tempo que exercemos atividades, pondo completa atenção a tudo que nos cerca e a tudo que percebemos, com seriedade, pode recolocar-nos face ao mundo em que vivemos...

A escolha do colégio
Rita Foelker

Muitos pais espíritas, hoje em dia, enfrentam um dilema: como escolher um bom colégio para seus filhos.

Imagine que você mora numa cidade do interior, com poucas alternativas. Você tem a escola pública, tem escolas onde a ênfase é dada à preparação para o vestibular e tem escolas ligadas a instituições religiosas (católicas, adventistas, etc.) que passam valores cristãos com a "cor" das suas doutrinas. Ainda não existem muitas escolas espíritas, por aí. Como você faria?

Escolher um colégio para os filhos é prerrogativa dos pais, mas existem alguns itens que podemos considerar. E é importante visitar e conhecer vários, antes de decidir.

Um destes itens é a filosofia e a metodologia da escola. A concepção espírita da evolução tem muito em comum com o Construtivismo. A metodologia construtivista trabalha respeitando a maneira como o Espírito evolui e aprende, só que não leva em conta a reencarnação.

Há colégios bons e ruins que trabalham assim, da mesma forma que há colégios bons e ruins usando o método tradicional. Mas se você encontrar um bom colégio construtivista, estará permitindo que seu filho estude segundo as leis da aprendizagem que atuam na nossa evolução espiritual.

Se optar por um colégio onde se professa determinada religião, há alguns procedimentos que podem evitar futuros dissabores. Primeiro, é preciso que a coordenação da escola saiba exatamente qual é a situação da criança e que não exija dela, nem conhecimento e concordância com a sua crença, nem participação em cultos e eventos religiosos.

Mesmo quando isto está bem claro, pode haver casos de discriminação entre os colegas. Então, em segundo lugar, é preciso saber como a escola vai trabalhar a questão da integração da criança na turma.

Uma das funções da escola na vida do aluno é a socialização. Se ele se sente deslocado ou discriminado, poderá enfrentar sérios problemas íntimos e de relacionamento. Portanto, nossa decisão depende também de cada criança: como ela vai reagir ao ambiente e aos ensinamentos diferentes dos que recebe em casa? Talvez um irmão se dê bem onde o outro não consiga se entrosar, e vice-versa.

Há colégios leigos que incluem em seus currículos a disciplina de Filosofia. Nestas aulas, as crianças aprendem a pensar, a raciocinar e também desenvolvem noções éticas importantes. Um colégio leigo com um bom programa de Filosofia para Crianças pode se constituir numa opção melhor, para pais espíritas, que uma educação sectária nos moldes de uma determinada visão religiosa.

Contudo, não duvidemos: a formação filosófica e religiosa vem da família. Não é o colégio que lhes proporciona isto, somos nós, os pais, e esta função do grupo familiar precisa ser muito clara para todos nós. Quando, em casa, vivemos segundo os princípios do Espiritismo, tratando abertamente de assuntos como imortalidade, mediunidade, reencarnação, Espíritos, Deus, e quando reproduzimos em nossas atitudes os valores decorrentes da compreensão espírita da vida, estamos apontando caminhos para nossos filhos. Se formos bons espíritas, eles terão bons exemplos a seguir.

...O que nos coloca perante um outro questionamento: que tipo de espíritas estamos sendo? Será que conseguimos servir de inspiração para nossos filhos?

Comemorações

Setembro é tempo de comemorar nossa ligação com três grandes Espíritos espíritas: Cairbar Schutel, Cosme Mariño e Herculano Pires.

Sugerimos que os amigos deste Jornal procurem conhecer a biografia e a obra deles, enriquecendo-se com a herança humanística, com os belos momentos registrados historicamente e com a coragem que testemunharam, no empenho constante de divulgar e defender o Espiritismo, na medida em que suas vidas foram sendo transformadas e melhoradas pelo entendimento e a prática de seus Princípios.

Seja no campo da cura do corpo ou dos distúrbios espirituais, deixaram também o inquestionável exemplo de que a prática dá razão de ser à teoria e permite experiências e vivências renovadoras.

Destaco a impressionante fé demonstrada por esses nossos mestres, fé removedora das montanhas da ignorância e da maldade, demonstrada em tantas oportunidades da vida de cada um deles.

Possivelmente só a superioridade possa desenvolver essa qualidade de fé mas que é dela que estamos precisando, lá isso é...

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