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Coletânea de textos publicados no
Ano V - Edição nº11 - Abril de 2002

A lente e o espelho do Espiritismo
Rita Foelker

Nossa vida é resultado dos nossos pensamentos. Para comprovar isto, basta que observemos nossos pensamentos habituais e quanto eles se relacionam ao modo como trabalhamos, como estudamos, como resolvemos nossos problemas, como tratamos as pessoas e, conseqüentemente, ao modo como somos tratados.

Mas há dois pensamentos que realmente moldam a nossa vida: nosso conceito de Deus e nosso conceito de nós mesmos.

Em todas as sociedades é assim. Por exemplo: a maneira como os muçulmanos concebem Alá define seu viver e não lhes permite imaginar um outro tipo de vida, sem deixarem de ser o que são. E é importante que observemos como acontece numa cultura diferente da nossa, porque a nossa idéia sobre Deus está tão entranhada em nossas vidas, que perceber isto fica difícil.

Muitas de nossas decisões são tomadas a partir do que imaginamos que agrada ou desagrada Deus, por mais que pareçam nascer exclusivamente de nosso livre-arbítrio. Somos muito mais condicionados pelos nossos pensamentos do que gostaríamos de admitir.

E o que pensamos do Criador se transmite ao que pensamos de suas criaturas, que somos nós.

O sistema que criamos internamente (para entender a razão de havermos sido criados por um Deus com as características que lhe atribuímos) confere-nos um papel, uma função na vida e no Universo, a qual tratamos de cumprir tanto melhor, quanto maior seja a nossa fé.

O poder transformador da Doutrina Espírita está em nos fazer olhar novamente para estes dois conceitos, o conceito de Deus e o conceito de nós mesmos, com olhos amadurecidos e preparados pelos ensinamentos dos Espíritos Superiores a Kardec.

O Espiritismo é uma lente para se ver o mundo, os fatos e a vida com mais nitidez e profundidade. Não há nenhum tema para o qual ele não ofereça uma perspectiva e uma compreensão racional quando, ao invés de nos determos na leitura superficial dos livros, estudamos e seguimos até seus princípios norteadores.

O Espiritismo é um espelho a revelar quem somos, quem são as pessoas em torno de nós, sustentando nossas ações morais em sólidas bases filosóficas.

E não é possível olhar através desta lente e deste espelho, sem que mudanças fundamentais aconteçam dentro de nós.


Seria fazer uma idéia muito falsa do Espiritismo acreditar que sua força vem das manifestações materiais e que, impedindo essas manifestações, pode-se miná-lo em sua base. Sua força está na filosofia, no apelo que faz à razão, ao bom senso. (Allan Kardec em "O Livro dos Espíritos" - Conclusão.)

A partir de 18 de Abril:
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Ensino Filosófico e Ensino Religioso
Rita Foelker

O que podemos entender por Educação Espírita? Essa expressão pode ser entendida em dois sentidos: 1º) como uma espécie de formação sectária das crianças e dos jovens, uma forma de transmissão dos princípios espíritas às novas gerações, e portanto um assunto doméstico, restrito ao lar e às escolinhas que funcionam nas Federações e nos Centros Espíritas, à semelhança do que se faz nos catecismos das igrejas; 2º) como um processo de formação universal das novas gerações para o mundo novo que o Espiritismo está fazendo surgir na Terra. (Herculano Pires em "Pedagogia Espírita", Ed.Edicel.)

A Educação Espírita tem como objetivo desenvolver o Ser humano integral, possibilitando o desabrochar de todos os potenciais do espírito, sejam intelectuais, afetivos ou morais. Não podemos encarar a Educação Espírita de maneira bitolada e fanática, como se apenas visássemos transmitir um conjunto de princípios dogmáticos e interpretações de textos.

Não se pretende, com ela, aumentar o grupo das pessoas que comungam nas mesmas crenças, nem encher os Centros de espíritas, mas abrir as portas do autoconhecimento e do conhecimento das leis da vida, para que daí resultem atitudes mais coerentes com as finalidades evolutivas da existência, em todos os sentidos.

Por isso, uma prática no estilo de catequese não se coaduna com os seus propósitos.

O ensino do Espiritismo para crianças, jovens e adultos não poderá se revestir das características do ensino religioso, nem com este ser confundido, mas tem muito pontos em comum com o ensino filosófico:

  • por partir de questionamentos e hipóteses com os quais trabalhamos, buscando raciocínios e argumentos científicos que ajudem a chegar a conclusões;
  • por pedir reflexão, estudo, aprofundamento e imparcialidade na análise dos assuntos;
  • por não excluir possibilidades, nem limitar a liberdade de pensamento devido a concepções religiosas quaisquer.

Isto tem influência em toda a estrutura do trabalho educacional, desde a metodologia adotada aos recursos didáticos, à dinâmica das aulas, ao relacionamento do grupo e à própria maneira do educador encarar e realizar a sua tarefa.

Não se passam informações simplesmente assumidas como verdadeiras e ponto-final, mas estimula-se o diálogo. Promove-se a interação, forma-se um grupo de investigação e busca da verdade, em que o aprendizado e o prazer da descoberta são simultâneos. Não se teme dúvida ou contestação, aproveitando as controvérsias para retomar os argumentos e reforçar nossa fé no que acreditamos. Torna-se o aluno agente do seu aprendizado, permitindo que construa sua visão de mundo e expresse seus conteúdos e opiniões com segurança e sinceridade.

A Educação Espírita não tem cunho religioso, mas filosófico - assim como a própria Doutrina Espírita - mesmo possuindo inevitáveis conotações morais que tocam em temas quase sempre pertencentes ao âmbito da Religião, como as conseqüências destes estudos no campo moral, nas nossas atitudes perante Deus, perante nós mesmos e perante o próximo.

Herculano Pires afirma que as duas definições acima são corretas, e que o que não podemos é nos contentar com a primeira, esquecendo-nos da segunda. Se nos detivermos na primeira, faremos somente "catecismo espírita". Mas se entendermos a proposta do Espiritismo na sua verdadeira abrangência, realizaremos muito mais em prol destas gerações que aí vêm.

Pares
/Lu

Deus - Paz
Amor - Poesia
Solidão - Escuridão
Tristeza - Obsessão
Alegria - Vida
Morte - Recomeço
Sol - Lua
Alma - Luz
Saudade - Sofrimento
Raiva - Dor
Sintonia - Comunicação
Música - Suavidade
Elo - Corrente
Dúvida - Perseguição
Vontade - Vencer