Repensando nosso jeito de estudar
Rita Foelker
O gráfico ao lado, reproduzindo as conclusões de uma pesquisa norte-americana sobre a eficácia dos métodos de ensino, diz muito para nós, espíritas.
Em outra ocasião, aqui mesmo, eu escrevi que os espíritas vivem predominantemente no passado. E se tem um setor em que estamos realmente defasados, este é, sem dúvida, o das metodologias e técnicas educacionais.
Pode-se dizer com muita certeza que as pessoas comparecem às palestras espíritas com o objetivo de aprender coisas novas, compreender melhor o Espiritismo, para buscar algum conhecimento prático que as ajude na vida. O expositor, com a melhor das intenções, ali está para compartilhar o que aprendeu, sendo que sua única recompensa é saber que está proporcionando a outras criaturas saberes que lhe fizeram tão bem.
Mas, e se ele soubesse que, depois de todo trabalho para se preparar, e de falar quarenta minutos ou uma hora diante de uma platéia, sobre coisas tão importantes, os ouvintes só conseguiriam reter, em média, 5% do que foi dito?
Não sei quanto a vocês mas, para mim, é desanimador...
Principalmente se soubesse que, durante este mesmo período, poderíamos estar estudando o mesmo tema de outra maneira, discutindo-o em grupos, ou desenvolvendo alguma atividade relacionada ao conteúdo, com um rendimento dez ou quinze vezes maior! Os números estão no quadro, basta conferir: fazer alguma atividade prática relacionada ao que aprendemos pode nos levar a reter 75% das informações transmitidas, quinze vezes mais que assistir uma palestra.
Estes números são, em si mesmos, esclarecedores. O que precisamos é de criatividade e coragem de experimentar.
Medo de sentir
Constância
Como posso não sentir o que eu sinto?
Como posso não ser como eu sou?
Como posso fingir o que não sinto?
Como posso viver o que não sou?
No entanto, faço isso todo dia
Com medo de sentir meus sentimentos,
Com medo de ser como eu sou.
Transmuto-me, contorcionista,
Não posso criar complicações
Digo o que não penso, penso o que não digo,
Sinto o que não sinto, anulo as sensações.
Crio máscaras, frieza, argumentos,
Explicações, razões, impedimentos.
São os outros, é pelo outro,
O que a outra pensará?
É a minha posição, é a minha obrigação...
Eu? Eu posso agüentar, disfarçar...
Só não posso me mostrar.
Compromissos, horários, coisas mil,
Escondem-me de mim, tão escondido,
Que já aceito de ante mão ter perdido,
A batalha que nem começarei.
Creio anular o que não me permito pensar.
E nublo sentimentos, necessidades reais,
Em multidão de julgamentos formais.
E anulo. E me anulo.
Apago a ousadia, a vontade de viver,
Afogo a jovialidade no que devo parecer.
Crio males no meu corpo e até já quero morrer.
E continuo fingindo, driblando cada vez mais,
Num insano esforço fatal
De ser a pessoa ideal.
Você já fez o Curso de Princípios da Doutrina Espírita, do Grupo CEM?
Se não, ou se deseja reforçar conhecimentos que farão o grande diferencial em sua vida, e na do seu Centro Espírita, procurem-nos pelos nossos endereços, na página posterior.*
Sacrifício
/Nilci
O sacrifício é um conceito que foi ensinado às pessoas através das religiões, principalmente a Católica. Para que você fosse absolvido dos seus pecados, por algum tipo de erro cometido, era necessário sacrificar-se para ser purificado e agindo assim, estaria agradando a Deus.
O entendimento que as pessoas tinham em relação a Deus, era dele ser uma pessoa vingativa, punitiva, implacável, que estava sempre de olho em todos os nossos atos. E o conceito de que os maus iriam para o inferno, fez com que as pessoas dessem valor a comportamentos que denotassem não se medir esforços para merecer o céu, pois elas acreditavam que oferecendo seu sacrifício, estariam livres do fogo do inferno. A auto flagelação, por exemplo, era um tipo de ritual muito comum, pois pensavam que deixando dor e marcas no corpo, certamente estariam promovendo a purificação da alma,ficando bem aos olhos de Deus e com isso criando o mérito de ir para o céu.
Também faziam barganha com Deus e com os santos de devoção: você me dá isso, eu te dou aquilo (promessa). Exemplos: ficar sem comer, subir de joelhos as escadarias de uma igreja, carregar uma cruz pesada sobre os seus ombros, oferecer animais para serem sacrificados, etc. Entendiam que quanto maior fosse o sacrifício, mais agradariam a Deus e mais perto estariam de obter o que necessitavam.
Com o surgimento de outras religiões, de outros conceitos doutrinários, o quadro começou a tomar rumos diferentes, pois as pessoas passaram a entender de uma forma mais racional, e pouco a pouco foram se libertando.
Toda essa mudança pode ser esclarecida pelo Espiritismo, através do conceito espírita sobre Deus e suas leis que regem o Universo. Deus não é uma pessoa e nem um Espírito como nós, e não fica nos vigiando ou se incomodando com nossos atos, pois tudo que possamos fazer representa aquisição de experiências rumo ao amadurecimento e ao progresso, conforme nos ensina a Lei da Evolução dos Espíritos. Portanto, se fizermos algo com dor ou com alegria, isto representa nosso estágio de compreensão sobre a Vida e o quanto podemos gostar de nós mesmos.
Se evoluímos constantemente, como podemos nos exigir perfeições superiores as que podemos ter agora?
De que vale artificializar perfeições através de sacrifícios que apenas contêm ou disfarçam o que na realidade somos ou sentimos? Muito mais lógico e verdadeiro, certamente, é o progresso gradativo mas real, até a superação de uma dificuldade ou de uma ignorância, ou mesmo a conquista de uma virtude.
Deus seria injusto se privilegiasse sacrifícios e mortificações, porque estaria desvalorizando a alegria e o prazer de viver e de conquistarmos, por acertos e equívocos, comportamentos mais harmoniosos com o estágio evolutivo que temos.
O sofrimento está na vida, como resultado do nosso ainda pequeno discernimento, mas não é o nosso objetivo de viver.
Se sacrifício significa sofrer, prejudicar-se, jamais poderá ser comparado ao amor que é doar-se, engrandecer-se e viver com alegria.
Ao fazer a sua prece...
A fazer sua prece evite determinar
O que deva acontecer, o que realizar.
Peça pela pessoa. Apenas peça por ela
mandando-lhe energias
deixando-a aproveitar para o que necessitar.
Favorecendo, assim, a ação do anjo guardião,
que a tocará de forma eficiente
sensibilizando, abrindo sua mente,
seu coração, através da intuição.
Quando você determina, pela prece
não lhe parece, mas está escolhendo
o que deva acontecer, segundo sua opinião,
seu julgamento, seu limitado conhecimento da situação.
Está também, sem notar, interferindo,
ferindo a liberdade de decisão, de escolha, de ação,
de quem imagina só receber colaboração.
Atuando com a força do pensamento,
com a força do campo de energia criado pela prece,
não lhe parece,
mas está se metendo na vida,
na vontade e nas decisões da criatura querida
que é alma como você,
com características, personalidade, necessidades individuais.
E assim ficam abertos precedentes para pretendentes
a interferir em você.
Pela Causa e Efeito, quem interfere no outro,
por meios ocultos ou não,
cria para si o mesmo campo de ação.
Por que interferem em sua vida? Por que cortam sua ação? Por que penetram em seu pensamento dificultando, nublando o discernimento?
Por que não respeitam sua pessoa, sua vontade, seu agir?
Porque, observe bem, você não para de interferir.
O nome dessa rogativa, não se assuste, é prece negativa!
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