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Coletânea de textos publicados no
Ano V - Edição nº5 - Outubro de 2001

CONFIAR É LIGAR COM FIO
Calunga/Rita Foelker

Confiar nas coisas erradas é um dos motivos de as coisas não darem certo na sua vida.

Você culpa Deus, o destino, da sua desgraça.

Vocês confiam em segurança de emprego, em segurança de dinheiro, em segurança de casamento, e quando estas coisas falham, você culpa Deus, o destino, da sua desgraça.

Não existe culpa, mas a responsabilidade é sua, de confiar em coisas que não são tão confiáveis, assim.

Você é capaz de garantir que aquela mulher ou aquele homem com que você se casou vai ficar ali pra sempre? Você é capaz de garantir que a cabeça e o sentimento dele ou dela não mudem? Não pode garantir, porque não está em você, está na outra pessoa.

Você pode amarrar ela no pé da mesa, mas não pode impedir de não querer mais viver com você. E se pensa que, fazendo tudo pra agradar vai segurar, aí é que você perde, porque fica sendo um casamento forçado, pra inglês ver, não um verdadeiro encontro de almas. E você, presa naquilo, enquanto pensa que prende o outro!

Você pensa que ter dinheiro vai resolver todos os seus problemas, mas não vai. Porque o dinheiro é um fluxo que passa por você, fazendo as riquezas circularem na sociedade. E ele vai mudando, de mão em mão, e é pra isso que ele serve. Hoje está aqui, amanhã, está com o outro, e está cheio de gente que dormiu milionário e acordou sem nada, ou pegou uma doença e teve que gastar tudo que tinha guardado. Então, dinheiro não é garantia de coisa nenhuma!

E de emprego, eu nem vou falar! Você, que viveu no Brasil dos últimos tempos, já viu que emprego não garante coisa alguma a ninguém.

O que você necessita não é de ter dinheiro, é de uma certeza de saber fazer o dinheiro passar pela sua mão. Isso é a sua segurança. E isto está na alma, não está no dinheiro.

Não, não está errado procurar ter um dinheiro, um emprego, um casamento. Sempre pode haver uma estabilidade que dure por um tempo, mas você não pode se fiar nisso, pra adquirir a sua segurança, a sua confiança. Segurança é sentimento, não é coisa material.

Veja: o casamento e a família estão ali, com você. Há um prazer em ter alguém pra compartilhar momentos, trocar carinho. Mas quando você se torna dependente do seu casamento e da sua família, você acaba com tudo. Vira aquela relação neurótica, de posse, de exigência.

- Filho meu não vai a tal lugar! Mulher minha não usa roupa assim!

Um marido fala isso para parecer o dominador, mas é um dependente. Ele não curte a família, não entende as pessoas da família, ele só está viciado naquela sensação de mando que o faz se sentir um pouquinho melhor consigo mesmo. Um pouco menos porcaria. Ele usa isto para controlar a própria insegurança.

E as mulheres contribuem pra isso, quando não fazem nada se o marido não deixa. Porque marido não tem que deixar ou deixar de deixar. Isso não é papel de marido. Mas como ela é uma pamonha, precisa saber se ele aprova o que ela está querendo fazer, porque se - Deus a livre - algo der errado, ela pode correr pra baixo da asa dele. E ele, até pra proteger ela de si mesma (tão insegura!), se intromete:

- Não vai lá! Não faz isso não! Faz assim...

O que que é isso, minha gente? Segurança de casamento? Como é que duas pessoas que não têm segurança em si podem construir uma segurança num casamento? Baseados em quê?...

Mas eu estava falando em segurança. Em confiar na coisa certa, e desviei um pouco o assunto. E se desviei, deve ser porque tem gente precisando, porque eu confio muito na minha intuição.

Confiança é um sentimento que brota de dentro de mim, em relação a mim mesmo, junto com as forças espirituais que me ajudam no meu progresso: as leis de Deus, os Espíritos protetores e mentores. Isto sim, é digno da minha confiança, porque não é matéria e nem depende de ninguém mais, só da minha ligação com estas forças.

Eu sei que eu posso fazer coisas, e sei que posso contar com elas pra me ajudarem sempre. A lei não muda, Deus não muda, e se eu estou com eles, estou seguro. De onde vem esta segurança, de uma fé cega? De jeito nenhum. Vem de uma fé que enxerga muito bem, que olha as coisas muito de perto, que vai nos detalhes e identifica a perfeição funcionando, onde quer que olhe.

Mas como tudo isto é invisível, é preciso olhar com os olhos da alma e entender com o coração.

Confiar significa ligar com fio. Atar. Fazer uma aliança com você de um lado e Deus do outro, ambos fortes, ambos firmes, ambos seguros.

Porque, segundo o ditado de que a corda arrebenta do lado mais fraco, você pode ter certeza de que nunca vai ser do lado de Deus. E então, que não seja do seu!...

- Ó, Deus, cê segura daí, que eu seguro daqui, viu?

E fica firme. Porque aí, pode até o planeta Terra cair de sob os seus pés, que você continua pendurado nesse fio, nessa ligação forte que você tem com Deus e com o invisível.

Não agüento mais...
Constância

Quando um período difícil se instala na vida, o que geralmente ocorre é uma inépcia nossa para driblar a situação, a fim de que não se torne dominadora de nossos pensamentos, e para que não se prolongue muito, por lhe darmos excessiva atenção.

Ignorar ou tentar passar por cima de tudo, fingindo ou maldizendo, não são boas opções, porque quando algo sério acontece, é porque a vida quer nos mostrar o que o nosso comportamento está atraindo.

Algumas pessoas procuram fugir do necessário exame do porque estão ocorrendo certas coisas. Fecham os olhos e os ouvidos, recusam-se a analisar e ficam mentalmente distraídas com devaneios, procurando viver da mesma maneira que sempre viveram, lutando para que tudo funcione como desejam. Essa atitude dificulta o bom encaminhamento dos problemas, prolonga a situação e impede a compreensão e o amadurecimento que vem quando se quer aprender com as lições que a vida nos trás.

Há aqueles que começam a entender o que se passa, mas logo querem que tudo se resolva. E revoltam-se contra a vida e contra Deus, na medida em que a situação prossegue, pois acham que se já entenderam algo, tudo deveria mudar na hora. Essa atitude também dificulta o processo de solução, porque quando as circunstâncias começam a se encaminhar, é quando mais precisam da nossa paciência e confiança, mas justamente aí a pessoa "tira o corpo" e quebra os encaminhamentos. A pressa não leva em conta que, muitas das vezes, as questões envolvem o livre arbítrio de outras criaturas, e é preciso que elas queiram e possam agir como precisamos.

Outros até querem e se esforçam por compreender e agir renovadamente, mas deixam-se oscilar muito, pela força dos hábitos que criam a incerteza do que é o melhor. Para isso colaboram aqueles que não querem a nossa melhoria, estimulando as dúvidas e os pensamentos maldosos. Então, a falta de persistência, decisão e firmeza, faz com que constantemente tudo pareça voltar à estaca zero, se bem que não é exatamente isso que ocorre. Mas a solução fica sempre adiada e tudo cada vez mais difícil, porque a Vida não brinca com ninguém. E quando nos "chama" para algo, é para valer.

Outros se rebelam contra tudo e contra todos, vendo má vontade e más intenções em qualquer situação, porque no fundo se si mesmos consideram-se vítimas e exigem que os outros resolvam seus problemas e dificuldades. Essa atitude cega o espírito de análise e corroe os recursos da intuição e da inteligência, aumentando o desespero e as más idéias, prolongando esse período.

Certamente nenhum de nós quer passar pelos momentos difíceis, mas eles chegam fruto da causa e efeito, desafiando-nos a encontrar uma forma diferenciada de pensar e ser, para que o futuro não nos traga outros desses. Mas a lucidez de prevenir o amanhã, também é fruto de repetidas vezes em que as dificuldades foram enfrentadas com desprezo, apelações e teimosia. Até chegar o dia em que nos cansamos de sofrer e um verdadeiro "não agüento mais!", basta!, tornam-se atitudes, posturas. É quando descobrimos que é possível mudar o rumo das coisas, com pequeno esforço de disciplinar pensamentos e atos, evitando aqueles que já observamos resultarem contra nós mesmos, por mais que pareçam tentações irresistíveis. A partir dessa descoberta vamos ganhando auto-domínio, deixando de ser joguetes e assumindo a própria vida, com consciência e alegria.

O convite desse texto é para que observemos mais atentamente o que realmente queremos para nós e o que precisamos fazer para obter essa condição. E, corajosamente: mãos à obra, sem olhar para trás, já que o futuro está à frente e é dele que devemos cuidar, vivendo de outra maneira o dia de hoje, desde quando acordamos.

Orar renova as forças íntimas. Respirar com consciência renova as forças físicas e equilibra as emoções. Reconhecer o próprio valor renova a alegria de viver. Ser reconhecido a quem nos ajuda e fica ao nosso lado renova o amor. Usar palavras benéficas e de estímulo renova aqueles que nos cercam. Escolher bons pensamentos renova tudo.

Recusar-se a ficar mal, por dentro de si, e a espalhar o mal estar ao seu derredor é o mesmo que recusar-se a servir a um mal senhor e ir conquistando a própria alforria.

Farol - para quem estiver precisando
Pedro/Claudia

Luz a iluminar para a mente despertar.
A descobrir as razões que vão tocar os corações,
Encontrando as respostas e direcionando soluções.
Ter metas é importante, para levar o intento adiante.
Observação constante, pois a ajuda será incessante.
Avaliar as decisões e se necessário mudar direções.
Paciência, para que a mudança e a evolução,
Sejam feitas com consciência.
Nunca deixar o desânimo avolumar,
Pois assim não conseguirá se elevar.
E com elevação, os resultados se consolidarão.
Criar amor é a essência de toda essa experiência.
Confie no trabalho e na ajuda dos amigos desse lado,
Que são muitos...