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Coletânea de textos publicados no
Ano V - Edição nº3 - Agosto de 2001

Médiuns ...

Estudando as relações dos médiuns com sua mediunidade e com as tarefas que assumem nas reuniões de estudos práticos da mediunidade, nos Centro Espíritas, um ponto de destaca: fica a desejar o assumir-se médium e desenvolver recursos próprios para perceber como funciona, para si, em si, essa faculdade e como melhor perceber e direcionar os contatos mediúnicos.

Em ressalva:

  • nem sempre as reuniões mediúnicas são consideradas e realizadas como estudos práticos.
  • nem sempre o entendimento sobre a mediunidade é de ser uma faculdade inerente aos seres humanos, e sim de ser carma, fruto dos erros, mérito, dom ou alguma outra forma equivocada
  • nem sempre é sabido que não é a mediunidade que atraí Espíritos e sim os pensamentos da pessoa
  • nem sempre as Casas Espíritas oferecem estudos espíritas sobre o Espiritismo e a mediunidade
  • nem sempre há reflexões sobre o papel do coordenador e o dos médiuns, em cada tipo de reunião
  • nem sempre a reunião é realizada pela soma consciente de esforços entre as pessoas e os Espíritos
  • nem sempre as reuniões são dirigidas pelos seus verdadeiros coordenadores espirituais.

No geral, fica o médium à merce do coordenador, imaginando que este sabe mais do que ele sobre o fato mediúnico que se desenrola e por isso restringe-se, deixando de observar e perceber mais profundamente, se bem que muitas vezes perde um tanto de domínio sobre si e sobre o que ocorre durante uma comunicação ostensiva.

Todavia, é o médium quem contata com o Espírito. É ele quem pode sentir mais diretamente seus fluídos, sua qualidade moral e características personais. Além de poder, no geral, perceber suas verdadeiras intenções e sua real necessidade. Claro que um bom coordenador será instruído pelos dirigentes espirituais da reunião, podendo desvendar situações ou engodos, que o médium, as vezes, não pode perceber, sobretudo quando sua ligação com o Espírito já foi estabelecida de uma forma destituida de análise, ou quando há vínculos/sintonia entre eles, o que faz com que a mistura de pensamentos e sentimentos seja tão forte, que impede a distinção.

O papel do coordenador é bastante específico e indispensável, o que não quer dizer que seja o de um comandante ou senhor absoluto, já que Kardec deixou bem claro, que uma reunião é um ser coletivo, cujas características e qualidades são as de seus componentes.

Observando que a cada dia estamos um tanto diferenciados, pela natural dinâmica interior e pelas nossas reações ao que nos vem do exterior, conclui-se que a cada dia formamos um ser coletivo diferenciado, quando nos reunimos. Por isso, coordenador e médiuns atentos poderão vivenciar a especificidade de cada reunião em sua plenitude, se estiverem informados de que a rotina de atos e pensamentos inibe, anula, bloqueia a percepção do que ocorre em cada dia, e tambem facilita a ação dos Espíritos mal intencionados, que poderão até assumir a direção de tudo.

Um fator que muito conta é a quantidade de idéias preconceituosas e limitantes que perfazem o cabedal de informações do médium sobre a mediunidade e como agir com ela, sobressaindo os temores, a insegurança e o desconhecimento específico, até mesmo do conteúdo de O Livro dos Médiuns.

A mediunidade só pode ser uma grande benção, porque permite perceber e entender, de alguma forma, os Espíritos que convivem conosco e os que evocamos. E sendo natural em todos os seres humanos, nada tem de prêmio ou castigo, pois é apenas fruto do desenvolvimento de um potencial. Nada tem de estático ou repetitivo, ao contrário, é em tudo dinâmica e diferenciada, de pessoa para pessoa e numa mesma pessoa, de um dia para o outro.

Dessacralizando essa faculdade e entendendo-a como absolutamente natural, o Espiritismo convida a uma grande reflexão, sobre como estão os médiuns, em relação a sua mediunidade. Estão observando e estudando tudo o que se passa consigo nesse campo, ou apenas passando pelas situações, sem elaboração e aprendizado? Têm coragem de examinar tudo ou temem mais do que outra coisa? Dão o devido valor a esse potencial, esteja em que grau de desenvolvimento estiver, ou renegam o que têm? Fazem dele uma luz ou um peso? Fonte de aprendizagem e crescimento ou meio de desincumbir-se de obrigações e "ganhar o céu" ?

Constância sugere

Por mais que a vida pareça complicada e sem sabor,
Por mais que fique escura, difícil e sem cor
Toque seu corpo: está vivo? Suas mãos sabem trabalhar?
Seus pés o conduzem ainda? Tem olhos pra enxergar?
O coração está pulsando?
É pouco? Parece-lhe pouco, face ao que está precisando?
Então examine esta idéia, veja como aproveitar:
O pouco valorizado é muito. E pode a muito mais chegar,
Quando abençoado como honra e como riqueza grande,
Que bem usada multiplica e se expande.
Jesus disse que o muito, muito mais irá gerar.
E o pouco, menos ainda vai ficar.
Por isso, pense o seu pouco sendo muito,
e trate-o como tal! Até porque, quantos têm menos que você
e querem ter o que já lhe é banal?

Agosto, Mês dos Pais
Rita Foelker

Certas convenções parecem estar tão enraizadas em nosso modo de ver a vida e de viver, que ficam inquestionáveis. Com a comemoração do Dia dos Pais não é diferente.

Em todos os lugares onde presto algum tipo de colaboração, e também nas escolas, tornou-se uma espécie de obrigação criar algo especial para ser apresentado aos pais, e as crianças devem forçosamente confeccionar alguma lembrança para lhes dar de presente. Sinceramente, isto tudo me parece muito mais uma satisfação das educadoras para a casa espírita, para a coordenação das escolas e para as famílias das crianças, que uma atividade que reflete a realidade dos sentimentos de todos os envolvidos.

Não estamos aqui defendendo nenhuma idéia do tipo "deviam parar com isto", "é só uma data comercial". Afinal de contas, existem muitos e muitos pais que realmente merecem e ficam sensibilizados pelas lembranças e homenagens que recebem.

Só que, este ano, descobri que não concordo com o modo como lidamos com estas datas. E fico pensando nas crianças: será que elas concordam? Será que elas realmente estão contentes com os pais que têm? Será que elas realmente diriam as palavras que são colocadas em sua boca para recitarem, se tivessem escolha?

Não vejo sentido em trabalhar datas comemorativas como esta, em sala, se não conhecemos a realidade dos alunos, se eles não têm chance de refletir e de perceber como realmente se sentem enquanto filhos. Onde está seu pai? Ele mora com você? Quando foi que o viu pela última vez? Do que vocês falam? Onde vão juntos? Costumam brincar? De quê?...

Uma amiga minha contava, na segunda-feira, que os seus dois filhos mais novos passaram o domingo em prantos, porque tiveram a tradicional comemoração e presentes da escola para os pais, as tais mensagens e poesias de comportamento paterno idealizado, mas o seu próprio pai além de não morar com elas, nunca as visita e, quando telefona, nem pergunta como estão passando. Para muitos adultos, também não deixa de ser um dia difícil. E minha pergunta é: será nosso papel de educador acrescentar a estes alunos mais uma frustração, mais uma dor íntima, mais sentimento de rejeição do que elas já possuem?

Ou será que somos tão superficiais em relação a este assunto porque temos medo de ver a realidade como é e de não sabermos o que fazer com ela?

Por que não aproveitamos que todos estão falando disso para procurar entender a relação com esta criatura que chamamos de pai? Por que não aproveitamos para enxergar o ser humano que ele é, em vez de recitar poesias sobre o que ele nunca foi e, talvez, nunca venha a ser? Por que não verificamos as nossas expectativas em relação ao nosso pai, para ver se elas são reais ou fantasiosas, se elas nos fazem bem ou nos fazem sofrer, se elas nos fazem caminhar ou parar num ciclo de auto-piedade, em que culpamos os outros pelo modo como nos sentimos desprestigiados, negligenciados e rejeitados?

Como espíritas, nós precisamos compreender a paternidade além das convenções. Quem sabe, depois de algum tempo, nós realmente tenhamos, como produto da verdadeira reflexão de cada um e do aumento da percepção de si mesmo, poesias e mensagens que expressam, de verdade, nossos melhores sentimentos por nossos pais. Quem sabe possamos aprender a aceitar nossos pais como são, descobrindo as suas virtudes, estabelecendo um relacionamento pai/filho onde a sinceridade seja base do afeto e do respeito, no lugar da tentativa de resolver projeções e frustrações de um em relação ao outro.

Metafísica

Quem é espiritualista ou espírita, já é hora de saber que:
Seus pensamentos são reflexo de você.
Do modo que voce é, da sua forma de ser
Nascem seus pensamentos e a maneira de compreender.
Parece que é o contrário, que voce é o resultado
De cada pensamento pensado.
Na realidade, cada um deles marca, e voce sente,
Profunda ou levemente,
Alma e corpo, com sua existência,
Criando bem estar ou dores, e uma experiência.
Mas não culpe o pensamento, que de voce ele é fruto
Apenas se observe, abra os olhos, seja astuto.
Dor do corpo vem da cabeça...
E, antes que me esqueça,
É assim com todo mundo, faz parte do aprendizado
De entender como é a avida e viver mais ajustado,
Com voce mesmo e com Deus,
Que só justo com os filhos seus!

O jogo do pobre coitado é usado por aqueles que estão desvalorizados diante de si mesmos. A pessoa se deprecia em busca da segurança que o outro possa lhe dar, e com isso ameniza seus sentimentos de incapacidade e culpa, que são a base psicológica dessa atitude. Entretanto, é preciso observar tambem, que o pobre coitado manipula aqueles que o carregam, tornando-os responsáveis por seu bem estar e escravizados as suas necessidades. Faz isso estimulando-lhes a vaidade, fazendo com que se sintam super heróis, salvadores, pois sem suas providências o que seria dele?

Como a vida é justeza absoluta, se alguem se comporta como pobre coitado é porque há um vaidoso as suas ordens.