Diferencial do ensino espírita para crianças
Rita Foelker
Para atingir seu objetivo de transformação das almas, a Educação Espírita carece de metodologia apropriada.
Um dos grandes equívocos, comuns nas atividades de Evangelização e Educação Espírita promovidas pelos centros, é não observar-se a metodologia espírita ao se abordar conteúdos espíritas.
O Espiritismo é uma doutrina de apelo a razão, uma visão de mundo e de vida baseada numa filosofia racional, cujas conseqüências podem ser experimentadas e comprovadas. Esta experimentação inclui observações que podem ser feitas em eventos externos, mas também sentidas e rememoradas intimamente, quando o que a Doutrina ensina confirma aquilo que já vimos ou vivemos.
O ensino e aprendizagem do Espiritismo para crianças é diferente do ensino e aprendizagem religiosos. Não se trata de aprender normas, preceitos e interpretações de textos, mas de incorporar uma visão de si mesmo e do significado da vida, que lhes permita o discernimento necessário às diversas situações com que se deparam.
O ensino religioso costuma ser impositivo, ou seja, pede aceitação de verdades compartilhadas pelo grupo, sem possibilidade de reflexão ou contestação. Aprende-se, por exemplo, que é preciso cumprir determinado rito para pertencer ao rol dos filhos de Deus, e tal fato não oferece opção a não ser de concordância, se se pretende pertencer aos quadros de seus adeptos.
Ao contrário, não se espera que a criança espírita aprenda a crer em Deus ou na imortalidade porque o Espiritismo assim ensina, mas porque refletiu, confrontou com a lógica e os fatos, sentiu em seu coração e reconheceu em sua própria experiência a impossibilidade de que assim não seja, assimilando este conceito à sua visão da vida.
Por isso, o ensino espírita vai muito além daquilo que o educador possa compartilhar verbalmente como conhecimento seu, mas pede criação de estratégias e oportunidades onde cada educando levante suas próprias hipóteses, questione tire suas próprias conclusões.
Por isso, o ensino espírita pede fatos do mundo, da ciência e da sociedade que demonstrem a universalidade das leis que a Doutrina Espírita vem revelar. Não se pode proporcionar de fato a compreensão e a possibilidade de vivência do Espiritismo, quando ele aparece distante ou divorciado da realidade que ele mesmo leva a compreender, e com a qual também ajuda a lidar.
O ensino espírita visa o esclarecimento espiritual, e não a disseminação desta ou daquela visão religiosa ou prática devocional. Este esclarecimento se dá a partir da observação e experimentação individual e coletiva, da reflexão e interiorização de princípios cuja veracidade se é capaz de compreender por si mesmo, sempre na medida do desenvolvimento intelectual e moral.
Respeito: companheiro do amor
Constância
O respeito, quem diria, vem a público reclamar
Que vive mal entendido e resolveu se explicar.
Quer dizer que quase sempre é visto como vilão,
Acham que é uma obrigação, um ato de educação
Mostrado com formalismos, com ou sem sinceridade
Agradar aos mais velhos, tratá-los com civilidade.
Quando alguém fica enérgico, até briga p'ra falar
Responde forte, defende seu modo de ser e pensar
Insiste, luta, faz questão de buscar o entendimento
Fica bravo, fecha a cara, defende seu sentimento
Todo mundo logo grita: que falta de educação,
Que desrespeito, que grossura, de mim não gosta não!
Mas o respeito, amigos, está naquele coração
Que fica ao lao, apesar do conflito, da situação:
Respeito é compreender o momento que o outro passa
Imaginar sua dor, seu sofrimento, a desgraça
Que sente pela frustração, perante o desencanto.
Respeito é aceitar como o outro é e nada cobrar.
Respeito é ser como você é e não se comparar.
Respeito é buscar sua melhora todo dia,
E saber que outros são-lhe apenas companhia,
Pois só a você é dado dar-se felicidade,
Que nasce dos seus pensamentos, olhos e vontade.
Como se pode ver, por esta pequena amostra
Respeito é para si mesmo e p'ra quem você gosta
É estar ao rés do peito, viver na tranqüilidade,
Ser natural no afeto, no gesto e na verdade.
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