AS IMPRESSÕES LIMITANTES
Cristina Helena Sarraf
A vida vai nos apresentando situações tão diversificadas, surpreendentes e inesperadas, que nos despertam reações e ações até inimagináveis antes de acontecerem. Isso porque trazendo um cabedal de experiências e vivências passadas, cada nova situação "puxa", desperta, associa, certos pensamentos, sentimentos, sensações, temores, iniciativas, hábitos, que já temos. É claro que tudo isso decorre de nossas escolhas anteriores, fruto do arbítrio natural que possuímos, mesmo que não nos pareça ser assim.
Muitas dessas cenas, palavras, acontecimentos, tornaram-se profundamente marcantes, impressos em nosso íntimo, determinando reações como que mecânicas. A maioria delas, nem percebemos que existem e que estão nos direcionando e até mesmo limitando.
Impressões fortes, marcas de dores e humilhações, sofrimentos, frustrações e amarguras, impressos, como sinais indeléveis de nossa incapacidade para lidar conosco mesmos e com aquilo que nos fere. Não importa que este ferimento seja no orgulho, na vaidade ou na auto-imagem, porque, afinal de contas, somos o que somos.
Como aqueles LPs antigos, que quando riscados, sempre a música parava naquele lugar, porque a agulha caía ali, inexoravelmente, da mesma forma, situações, pessoas e acontecimentos nos "empurram" para essas reações impressas, porque não percebemos que só se parecem com o que já vivemos anteriormente, mas não são a mesma coisa.
Quanto mais fundo o sulco no LP, mais difícil da agulha sair, por mais que a rotação do motor force-a a isso. Quanto mais profunda for a marca íntima, pela repetição, mais difícil evitar de cair no mesmo comportamento, cegados pela dor ou pela necessidade de evita-la, embora a vida esteja gritando que o tempo é outro, que há diferenças e que as reações a cada momento devem ser repensadas e diferenciadas.
A tarefa de diluir essas impressões pode não ser fácil, mas precisa ser empreendida com coragem, a partir do momento em que se constata que existem.
Lutar contra, só aumenta o que se quer destruir. Por isso é preciso usar estratégias, recursos de fortalecimento íntimo e de diluição das marcas da dor.
Esperar que os outros ou a Vida mudem ou façam por nós, para podermos dispensar tais cargas, adquirindo confiança para viver a realidade de cada momento, é uma grande ilusão que nos leva a assumir uma postura de vítima.
Pensar-se vítima é, em primeiro lugar, considerar que a vida é injusta e que, por conseguinte, Deus também o é. E em segundo lugar, estar tirando de si o poder de gerir a si próprio, entregando esse poder para outro(s). Certamente, viver assim causa um grande pesar, um incessante desconforto íntimo, que é sempre realimentado, gerando perturbações, enfraquecimento energético e doenças.
As belezas da vida, o prazer de viver e ser, a leveza, a alegria, mesmo que nas mínimas doses passam a ser cada vez mais raras e vamos nos afundando nas obrigações, no temor, nas previsões dos males que acontecerão amanhã, e nas reações habituais, nascidas dessas impressões que vão ficando cada vez mais fundas.
Filme de terror?
Não! Apenas a realidade circunstancial de muitos de nós, apesar do rótulo de espíritas.
Onde está a saída?
Começa numa análise mais corajosa do que estamos fazendo conosco, ao estudar e aprender as lições espíritas e continuarmos agindo como se nada disso existisse. Ou seja, aquela velha hipocrisia de vasos caiados.
O Espiritismo não repete a fórmula das religiões, nas quais alguém considerado representante de Deus impõe os comportamentos desejáveis e nos perdoa das falhas. Pelo contrário, a Doutrina Espírita nos convida à reflexão, a análise e à fé raciocinada, como elementos de melhoria da própria qualidade pessoal, sem culpas ou punições.
Uma pequena dose de corajosa vontade de sair desses comportamentos limitantes e viver com mais verdade, confiando na grandiosidade das leis divinas, abre as condições de sermos ajudados e inspirados aos passos libertadores.
De pouco em pouco, o horizonte se pintará de luzes e a renovada esperança de cada dia que nasce, vitalizará o coração que se consumia em dor e medo.
É só querer e dizer a si mesmo: basta!
Leia e estude O livro dos Espíritos, porque conforme você pensa, assim é a sua vida !
Campanha anual do CEM, em prol da divulgação e da valorização de O Livro dos Espíritos
Desfazendo equívocos sobre a prosperidade
Rita Foelker
O que significa ser próspero, para você?
As respostas mais comuns a esta pergunta são: que ser rico é ter muito dinheiro e muitos bens, ou que ser rico é poder comprar tudo o que se deseja.
A idéia de riqueza como concentração de bens nas mãos de uma pessoa está cada vez mais ultrapassada. As pessoas mais ricas do mundo, falando do ponto de vista material, não têm apenas coisas palpáveis. Elas adquirem bens, mas sua riqueza advém de seus direitos. Elas têm royalties, têm crédito, têm participações em empresas. Têm uma marca, ou um rosto que todos desejam em suas propagandas, ou músicas de sucesso. Mas não é isto que faz delas pessoas ricas, pois muitas pessoas cheias de dinheiro são miseravelmente infelizes.
As pessoas são ricas, materialmente, quando agregaram valores à sua existência, quando fizeram o valor de sua contribuição para a coletividade reverter em benefícios para si próprias.
O sonho do consumismo é outra ilusão de felicidade. As pessoas que se entregam exageradamente às compras, não o fazem só porque podem, mas porque sentem-se profundamente insatisfeitas com sua vidas. E até de fazer compras a gente se cansa, mais cedo ou mais tarde. Ou será que ter quinhentos pares de sapatos muda o fato de nos sentirmos bem ou não com o ser humano que somos?
Alguém que não tem carro pode viver melhor a partir do momento em que conseguir adquirir um. Mas de quantos carros mais podemos precisar, se só dirigimos um de cada vez?
O consumo de bens não traz prazer interior duradouro. É muito mais um escape de frustrações e questões íntimas difíceis de enfrentar, que um sinal de prosperidade.
O equívoco das duas respostas mais comuns sobre a prosperidade está em querer defini-la a partir de
condições materiais, apenas, quando ela é uma condição interior, um estado de espírito.
A riqueza material pode ser o resultado visível da prosperidade, mas não é a própria prosperidade.
Calunga, em Mestre de Mim Mesmo, tem um ótimo conceito de prosperidade. Segundo ele, prosperidade é não passar necessidade. Simples, não?...
Sim, sem dúvida, mas esta definição nos remete a outro nível de entendimento, porque não se trata apenas de não passar fome, frio ou qualquer tipo físico de privação, mas de sentir-se pleno e satisfeito com sua própria vida. Trata-se de viver de tal maneira que o fluxo das riquezas espirituais e materiais do Universo passam por nós e, ao passar por nós, tornam-nos criaturas ricas. Bem, de que estou falando, agora?
Vejamos: a Natureza é rica, em sua diversidade e beleza. Porque certas aves ostentam cores tão fabulosas? Porque tantas variedades vegetais, porque tantas espécies de flores? Para que tantas estrelas? Pertencendo a Deus, que deveria ser comedido e austero segundo a visão religiosa mais comum, o mundo poderia ser um convento franciscano, sem conforto, sem adornos - afinal cultivar as qualidades da alma é o que importa para Ele. Para que cachoeiras tão altas, paisagens tão exuberantes, porque tanto luxo, se se trata apenas de burilar o Espírito? Não seria mais fácil fazê-lo num ambiente sem distrações?
Não, porque não é assim. Este pensamento provém de um preconceito em relação à matéria, que diz que a matéria é um empecilho, um estorvo ao desabrochar da alma, quando é óbvio que a riqueza material é apenas uma decorrência da riqueza espiritual.
A separação entre espírito e matéria e a idéia de prevalência do espírito sobre a matéria - é ilusão! Qualquer matéria é tão somente instrumento do Espírito, ela não decide, não pondera, ela não cria nem age por si. Ela não é inferior ao espírito, como categoria, porque é ela que torna possível aos Espíritos se manifestarem, fazer experiências, criar obras de arte e até compartilhar suas emoções e pensamentos com outras criaturas.
E dentro das leis divinas, perfeitamente equilibradas, não existe falta. Quer dizer que o Universo provê as necessidades de todas as criaturas, e que se estamos na falta, não é por insuficiência de recursos existentes, mas pela nossa atitude em relação a eles.
Quer dizer que tudo depende de adotarmos pensamentos e atitudes prósperas, pensamentos e atitudes que nos insiram no fluxo da abundância do Universo, em vez de nos afastarem dele. Abundância que, mais que matéria, se reverte em riqueza de sentimentos, de amigos, de beleza, de experiências, de aprendizados.
A verdadeira riqueza não são as coisas, nem os outros. A verdadeira riqueza é aquela que garante você, mesmo que as coisas e as pessoas se vão. E você percebe que é riqueza, porque lhe dá conforto. (Calunga, em Auto Ajuda.)
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VOCÊ PODE....
Você já pensou que sente e percebe mais sobre o lado invisível da Vida, do que imagina?
Ainda não? Ainda confia mais no que outras pessoas notam ? Espera que outro diga o que você está sentindo?
Então chegou a hora de parar e pensar sobre isso. Afinal, quem pode saber melhor o que você percebe, senão você?
Sim, é claro que algumas pessoas têm mais experiência e por isso confiam mais em si mesmas, o que as torna uma referência e uma segurança para os inexperientes. Todavia, isso não faz dessas pessoas seres especiais. Apenas desenvolveram um pouco do potencial que todos possuem. O que significa que você, certamente, tem percepções, sensações e sensibilidade, que podem ser observadas, notadas e merecem confiança. E mais, crescerão, serão desenvolvidas, à medida em que você lhes der o devido valor e atenção, estabelecendo um processo de crédito para si mesmo, embora sabendo dos próprios limites atuais.
Quer experimentar? É só ter um pouco de coragem e dedicar alguns segundos ao seu "radar", captando o que há ao seu derredor. Evite interpretações. não queira ser como os outros. cada um tem seus recursos particulares, pessoais. Observe e confie em seu "taco".
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