Educação pelo Amor
Cristina Helena Sarraf - janeiro / 2000
Por mais que seja difícil tratar do assunto Amor, dada sua abrangência e multifacetamento, acabamos voltando a ele, ponto central de nossa vida e de todo trabalho interno de lucidez e fortalecimento.
Pensar em um processo educacional através do Amor, é criar recursos para desenvolver o entendimento e a prática sobre a maior instrução de Jesus, a respeito do nosso relacionamento conosco e com os outros: amar ao próximo como a si mesmo.
A base dos raciocínios, para um bom entendimento dessa instrução, está no fato de que amamos outrem na conformidade de como e quanto amamos a nós mesmos.
Em cada um está o seu laboratório particular, a fonte e o campo de experiências necessárias ao aprendizado pessoal sobre o Amor. E a Vida se encarrega de nos provar que sem amor por nós próprios, sem essa experiência, esse viver, não conseguimos, verdadeiramente, amar alguém, pois não o vemos na sua verdadeira característica e dimensão. E também porque confundimos amar com gostar, desejar, possuir, apoiar-se, obter prestígio, dar proteção, ter companhia, ser útil, enfim, com muitas sensações e situações.
Mas Jesus, o modelo de Homem, estabelece como centro de suas instruções o Amor. E passa o tempo todo exemplificando e demonstrando que a vida observada e entendida através do Amor e de sua prática é mais bela e significativa, facilitando-nos as condições de melhorarmos os relacionamentos e a convivência conosco mesmo.
Se pudéssemos abstrair todas as interpretações, conceitos, entendimentos e condicionamentos que foram sendo feitos, no decorrer do tempo, sobre o pensamento de Jesus e penetrássemos em seu âmago, certamente poderíamos saber o quanto temos nos limitado, equivocado e atrapalhado, ante a amplidão da libertação que o Mestre nos propôs... Mas tudo tem seu tempo certo de maturação e vamos chegando à verdade. Por exemplo, já sabemos que amar não é dizer sim para tudo, "passar a mão na cabeça", fazer pelo outro, ser "cego", "surdo" e "mudo" às situações, para não desagradar alguém, partilhar segredos, ser conivente, abandonar-se e fazer tudo por alguém, justificar erros, ser bonzinho, obedecer, ter vínculo sexual, sacrificar-se...
Aprendendo a amar, ao vermos um erro, não mais pensaremos mal e nem criaremos justificativas, mas entenderemos que o ato representa o nível evolutivo de quem o pratica, e suas verdadeiras condições, nesse momento da vida. Porque, sendo multifacetados os aspectos da nossa personalidade, em uns somos o terreno fértil da parábola do Semeador, noutros somos o terreno pedregoso, o de espinheiros e a terra árida.
O fundamental é que Jesus se propôs a nos ensinar a amar. Isso significa que amor se aprende! E essa conclusão opõe-se ao "inconsciente coletivo" predominante, segundo o qual já se nasce sabendo amar. E mais, esse saber é exigido e cobrado, sempre segundo os valores e padrões de alguém.
Pela palavra de Jesus e pelas experiências pessoais, fica claro que o Amor precisa ser aprendido, sendo bom querermos fazer esse aprendizado, se temos objetivos de diminuir as dores e crescer interiormente.
Uma das formas mais comuns de descobrirmos que precisamos aprender a amar é o sofrimento e a dor que vem da falta de receber amor. Nessa situação acabamos por descobrir que, afinal de contas, não estávamos sabendo distinguir direito, não discernimos bem e, principalmente, não nos amamos.
Não se amar é percebido pelo tanto de desrespeito, descuido, abandono e descompromissamento consigo mesmo; por esperar, dos outros, atenção, consideração, cuidados; pelo quanto permitimos que nos dominem, determinem nossos atos e pensamentos e pela fraqueza íntima, tornando-nos dependentes e fragilizáveis.
Um belo e renovador caminho é o do aprender a se amar, experiência que nada, nada tem a ver com egoísmo, pois o egoísta não se ama, mas exige o amor do outro, usando de artifícios, como: fazer-se de vítima, de coitadinho, sendo autoritário, usando de violência e insuflando o medo.
Para aprendermos a amar, afora a observação atenta a tudo e a todos, sempre aplicando os melhores sentimentos, há a possibilidade de fazermos estudos com os Espíritos mais elevados, nas escolas de Amor. Ou seja, fora do corpo, durante o sono, que tal buscarmos os Espíritos especializados nesse assunto, que podem nos ensinar exercícios e treinamentos que nos ajudem a desenvolver essa capacitação?
"Ainda que eu fale a língua dos Homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine. Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência, e tenha fé tamanha, a ponto de transportar os montes, se não tiver amor, nada serei...."
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