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Coletânea de textos publicados no
Ano IV - Edição nº7 - Dezembro de 2000

Espíritas do Terceiro Milênio
Cristina Helena Sarraf

Parecia distante aos que já têm algumas décadas de vida, mas aí está o terceiro milênio, entrando em nossas vidas, já caracterizado pelas profundas mudanças e renovações ideológicas e materiais, que foram se fazendo e instalando nos últimos tempos.

Retrospectivas áudio-visuais destacam pontos altos, da vida e da ação humanas, lembrando-nos que atitudes conscientes, libertadoras, belas e maduras, ainda convivem com entendimentos obtusos e antiquados, preconceituosos e prepotentes.

à luz do Espiritismo essa aparente contradição é perfeitamente natural, porque um de seus fundamentos é a Lei da Evolução dos Espíritos, com a qual se aprende que os únicos seres inteligentes da Criação, os Espíritos, estão em constante processo de transformação, ou progressão, desenvolvendo suas potencialidades e conquistando experiências e aprendizado. Para tanto, fazem uso das Leis Universais e da matéria, em seus múltiplos estágios de agregação.

Dizendo o mesmo em outras palavras: cada um de nós vem construindo sua história e desenvolvendo características, que estão, no momento atual, cada uma em um determinado nível de desabrochamento e utilização. Esse processo não se faz uniformemente em toda extensão do ser. Faz-se gradual e parcialmente, mais aqui e menos ali, em conformidade com os estímulos, as reações, os esforços e a possibilidades de compreensão e amadurecimento. E nas múltiplas reencarnações vamos encontrar as oportunidades semelhantes as dos outros, no momento adequado para cada estágio evolutivo; de forma que todos passemos pelas necessárias experiências, a fim de progredirmos igualmente, mas sempre de forma individual e própria.

Por isso convivem, numa pessoa, idéias, concepções de vida e comportamentos antiqüíssimos e atualíssimos, contrabalançando-se, interpondo-se e conflitando. Até costumamos dizer que não sabemos como certa pessoa que é isto ou aquilo, pode fazer tal coisa... Pensamento que reflete uma maneira equivocada de pensar, não espírita, pela qual consideramos que tudo nas pessoas é bom, quando nelas reconhecemos algo de bom ou que tudo é ruim, se reconhecemos aspectos ruins. Mas verdadeiramente, a Vida não se mostra assim, restrita e delimitada. Ela é multifacetada, surpreendente e continuamente em transformação.

Entretanto, no dia-a-dia, predominam os pensamentos mais cristalizados, mais repetidos, mesmo que sejam concepções ultrapassadas ou até oponentes às idéias que adotamos agora. Funcionam como um mecanismo que dispara quando o botão é acionado. Enquanto que os pensamentos escolhidos presentemente, ou os que foram atualizados, contemporanizados, funcionam quando temos tempo de pensar e analisar a situação. Eles ainda não diluíram os antigos, e estão na superfície, necessitando tempo e vontade para funcionarem como mecanismo natural.

Obviamente, conforme seja o aspecto observado no comportamento de uma pessoa, podemos notar oscilações, incoerências e características bem desenvolvidas convivendo com outras, ainda não tanto. Basta olhar para nós mesmos!

Quando uma pessoa torna-se espírita e estuda o Espiritismo, passa a vivenciar essa dualidade de entendimentos e comportamento. De um lado está o seu sistema de crenças, ou seja, o conjunto ideológico anteriormente formatado. De outro, as idéias espíritas, renovando tudo, trocando e acrescentando conceitos. A suposição de que aprender representa ser e fazer é uma ilusão. Entre o aprender e o aplicar esse conhecimento nas coisas da vida, estão as idéias, as concepções e os preconceitos adotados no passado e mecanizados no uso. Quando menos se espera, o mecanismo funciona e nosso comportamento revela, mais uma vez, a característica que já queremos substituir. Deve ser por isso que Paulo disse que em muitos momentos fazia o que não queria ou não fazia o que queria.

Entender esse processo leva a descobrirmos como ter a necessária persistência, acompanhada de paciência e de amor por nós mesmos; respeitando nosso ritmo e capacidade atual de diluir, enfraquecer e trocar idéias e hábitos mentais. Isto facilita a adoção de uma forma espírita de pensar, na proporção que vai sendo diminuída, até acabar, a forma não espírita.

Passar por esse processo, sem muitas dores e conflitos implica em: primeiro, não lutar contra, pois toda luta gera cristalização do que queremos eliminar. Segundo: criar uma forma de diminuir a atenção e a força que temos dado para esse comportamento, prestigiando mais aquele que queremos adotar.

Por exemplo, se a auto desvalorização, as cobranças e exigências caracterizam sua personalidade, é isso que será enfraquecido se houver apoio e aprovação para tudo que for feito, tenha o resultado que tiver. Que bom que já fiz tal coisa, embora não saísse perfeita, porque agora tenho tempo para... Tudo que faço é bom porque ajo com boas intenções/ Como Espírito sou perfeita,e nos atos estou em aprendizado. Já sei, pela Lei de Evolução, que sempre estou melhorando. Por isso não preciso me cobrar nada. As melhorias vão se fazendo, gradativamente, porque estou me exercitando nelas.

Fortalecer o que quer. Enfraquecer o que não quer mais. Sem luta. Discreta e consistentemente!

Será que você pensa à luz do Espiritismo, conforme está contido nas obras da Codificação? Quer examinar este assunto ou já lhe basta ser como é?

A técnica do esvaziamento
Constância

"Lembra-se de já ter ido ao Centro Espírita e ter aprendido algo super útil para sua vida, ou ter podido observar que certo comportamento não está lhe fazendo bem, e até mesmo conseguir elevar-se, sentindo-se feliz? E lembra-se que depois, voltando para casa, os afazeres e as situações foram se sobreposto àquela decisão de treinar o que aprendeu, exercitar-se a pensar de uma outra forma, evitando repetir certas ações e reações ? Lembra-se que até esqueceu o que se tinha prometido?

Pois é... esse fato ilustra bem a técnica do esvaziamento, pela qual disfarçadamente um objetivo vai sendo posto de lado (depois eu faço!), até sumir do pensamento.

Sabe quem usa constantemente essa técnica, quase sempre com pleno êxito? Os Espíritos que não querem ver nosso progresso e nossa libertação. Aqueles que se alimentam da nossa energia e para isso precisam nos manter exatamente como sempre fomos. Para tanto ajudam-nos a esquecer tudo que possa nos modificar; criam a aparência de estarmos cheios de coisas a fazer; deixam-nos confusos e cansados.

Recorde como tem sido depois dos estudos, cursos, encontros espíritas dos quais você participa. Parece que avolumam afazeres e situações complicadas? Parece que você corre de lá para cá o dia todo, e nunca tem tempo nem para refletir ? Todos e tudo o chamam na hora que você decide estudar ou ler?

Examine melhor e veja bem o que você quer para sua vida. Porque um mínimo de disciplina diária pode gerar as forças necessárias para começarmos a romper com essa situação, que é uma espécie de miragem, cuja finalidade é impedir o crescimento pessoal, que só pode ser feito pelo exercitamento daquilo que queremos alcançar.

Certamente todos possuímos e podemos atrair recursos para vencer essa interferência, nascida de nossos descuidos e da pouca vontade aplicada na obtenção do que queremos.

Queremos? Realmente? "


Que a música da própria alma, possa lhe trazer a calma, a alegria e a disposição necessárias e oportunas, para cada dia do novo milênio que inicia.


Vamos ficar bem
Calunga/Rita Foelker

Ficar bem, minha gente, é isto: é viver com o resultado de ser bom de muitas maneiras.

Não é esta fantasia de céu que vocês têm na cabeça!

Porque esse céu que vocês imaginam é exterior, e não tem nada que vem do exterior para a nossa felicidade.

Tudo somos nós que criamos, com as nossas escolhas e atitudes.

Felicidade, bem-aventurança, é uma situação de vida que parte lá de dentro, do que você faz lá dentro, com você. Daquele bem.

Depois você vai, é lógico, atraindo as situações e as pessoas que têm a ver com este estado interior, e você cria um ambiente de vida gostoso, confortável, ameno.

E as pessoas assim também atraem você pra perto delas, porque tudo é reciprocidade, e acontecem as trocas nutritivas.

Isto é aí ou aqui.

E quem não atingiu esta condição também troca, mas troca com seus pares. Quem não tiver nada pra trocar com você acaba indo embora, e isto acontece até a nível de planeta: se eu não tenho mais nada pra dar ou receber de um mundo que ficou muito avançado pra mim, eu vou embora.

Isto não é castigo, expurgo, estas visões dramáticas que vocês têm. É o movimento natural, e como é natural não pode ser ruim.

Você já parou pra pensar nisto: no que é que você têm ainda pra oferecer a este planeta? Que bem você poderia oferecer pros seres que aqui vivem? Os que tiverem pra oferecer vão ficar aqui e participar do progresso coletivo. Os que só querem tirar proveito, mais um pouco, vão embora, vão viver em outro lugar onde eles ainda possam levar alguma coisa, conhecimento, ciência, experiência. E onde possam receber estímulos para o que eles ainda precisam aprender.

Não é uma matemática muito fácil?

Porque é da economia do Universo que um Espírito só fique onde ele puder somar. Contribuir.