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Coletânea de textos publicados no
Ano IV - Edição nº6 - Novembro de 2000

CURSO de PRINCÍPIOS DOUTRINÁRIOS do ESPIRITISMO
CPDE - O necessário diferencial para o entendimento espírita, no terceiro milênio!

Errei, erraste, errou...
Cristina Helena Sarraf

Quão difícil tem sido para todos, lidarmos com esse peso do erro!

Ao pensar que errei, pressuponho que deveria ter acertado.

Mas como deveria ter acertado, se errei? Ou seja, ninguém erra porque quer. Todos desejam sair-se bem em tudo que fazem.

Decidir, escolher, pensar, agir de forma não feliz, demonstra que podemos até saber, mas não estamos aptos para fazer. Dizendo o mesmo de outro jeito: aquilo que é considerado erro, é apenas uma forma possível de uma pessoa ser ou agir, no momento observado. Se pudesse realizar melhor, teria feito!

Um outro aspecto que requer exame é que o pensamento de que deveria ter acertado implica em usarmos parâmetros, regras, que estabelecem o certo e o errado. E é aqui que este assunto deve ser bem examinado. Haverá realmente o certo e o errado absolutos?

Obviamente, no decorrer da história humana nesse planeta, fomos entendendo que alguns comportamentos dão melhores resultados que outros. A natural maturação do ser humano vai lhe mostrando que agir ou pensar de certas maneiras traz vantagens ou prejuízos.

Segundo o Espiritismo, todos vivemos sob a lei da Evolução que gera gradativa e constante transformação em tudo e de todas as formas. Assim sendo, é impossível que alguém tenha um comportamento perfeito porque sempre haverá outra criatura mais evoluída que o considerará imperfeito.

NOTA: como Espíritos somos perfeitos. Nosso comportamento é que está em contínua aprendizagem e evolução. Mas o que ocorre é que, muitas vezes, há a condenação e a declaração de erro para quem não atenda ao nosso critério, ou ao critério de um grupo de pessoas que se julga apto a poder falar por todos. E é dessa situação que nasce o que chamamos de "moral formal", ou seja, regras de conduta, comportamentos pré-estabelecidos e usos e costumes, entendidos como a única forma possível de ser, incluindo a punição e a desonra para quem as infrinja.

É justamente dessa moral formal imposta, até em nome de Deus, que nasce a idéia do erro. Ou seja, alguém faz ou é diferente daquilo que foi estabelecido como bom, certo e adequado. Então, sem examinar ou analisar os porquês, essa pessoa está errada e deve se adequar à opinião e ao padrão, ou será execrada.

Nas famílias, por exemplo, observa-se muito isso.

Em conseqüência, muitas pessoas estão se esfalfando e deturpando a sua naturalidade para serem iguais ao que esperam que seja. Punem-se por se considerarem erradas, gerando para si mesmas a infelicidade e as frustrações. E espalham ao seu derredor esse desgosto pela vida e essa forma de pensar que bloqueia a alma e cria a hipocrisia.

Tirando de nosso vocabulário o termo errar, podemos trocá-lo por: "agi da melhor forma que pude; agora vejo que não examinei bem a questão; já percebi que posso fazer isto de outra maneira; realmente há aspectos disso que eu não vi antes; depois é que notei isso..." etc. E dessa forma criamos a naturalidade de aceitar e entender nosso próprio sistema de evoluir e amadurecer, sem auto-condenações e sem o peso da obrigatoriedade de acertar e de enquadrar-se nos padrões adotados e impostos como única opinião certa.

Para quem desconhece a evolução dos Espíritos, a individualidade absoluta e a história peculiar de cada um de nós e o quanto nos deformamos psicologicamente para agradar certas pessoas, pensar da forma expressa acima pode parecer temerário. Mas quem aprendeu com o Espiritismo, já sabe que a flexibilidade no analisar a nós mesmos e aos outros é fundamental para diminuir o preconceito e as agressões, nesse nosso mundo, que é habitado por Espíritos de diversos graus evolutivos e cada um só pode dar o que tem.

Em favor da comunhão de pensamentos
/José Carlos

Cada pessoa tem sua história de vida, que vem se fazendo desde os primórdios de sua existência. Por isso, todos trazemos resquícios negativos do passado, os quais afloram com facilidade, quando nos reunimos na Casa Espírita, onde estamos não por acaso, mas para aprendermos a diluir estas dificuldades, um dando força para o outro.

A forma como nos reunimos pode ajudar a desmanchar certos resíduos. Mas se cada pessoa não se propões a esse desmanchar, fica complicado e até impossível que nos reunamos verdadeiramente.

Assim, quando estiver em reunião ou quando se lembrar que um companheiro disse algo, entenda, compreenda que provavelmente ninguém visa nos magoar e sim, indiretamente há uma contribuição para que possamos diluir esses resíduos amargosos, que só nos atrapalham a vida.

E que essa atitude se estenda como uma meta libertadora, nessa encarnação!