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Coletânea de textos publicados no
Ano IV - Edição nº5 - Outubro de 2000

Já pensou que nesta vida...


Já pensou que nesta vida
Tanto bem você aprendeu...
De tantas pessoas
Idéias, pensamentos adotou.
De tantos homens, mulheres, crianças, plantas e animais
Você aprendeu algo mais, que tem lhe melhorado a vida.
E a receita de comida que salvou aquela situação,
Lembra como chegou a sua mão?
E as palavras que você aprendeu e que ajudaram a conversar
Sem ferir, sem pressão, mas o necessário para aumentar a união?
É só pensar...
Quanto motivo temos de ter gratidão!
Nesse outubro, por que não ampliar ainda mais o coração
Pelo bem que lhe tem feito o resultado da Codificação
Que o professor Hypolite e muitos Espíritos de luz,
Seareiros de Jesus,
Trouxeram para a Humanidade?
Explicando leis universais com a possível simplicidade
Plenos da vontade de nos ver crescer
E a vida entender
Sem mistérios, sem temores, transformando valores,
Livres para experimentar, pensar e diminuir as dores.

Constância

Inteligência, pensamento e atributos
Cristina Helena Sarraf

Examinando as definições de Deus e do Espírito (tanto o elemento primitivo quanto o ser individualizado desse elemento), vemos que os Espíritos da Codificação utilizaram-se da palavra "inteligente", para criar melhor possibilidade de conceituação e entendimento. Ou seja, para nossa forma de avaliar, essa palavra conduz-nos mais perto do que eles poderiam transmitir, dentro dos limites circunstanciais.

Mas, se entendermos inteligência como sinônimo de intelectualidade ou cultura ou escolaridade ou qualquer destes aspectos pelos quais ela se manifesta, estaremos limitando o entendimento em relação ao que esses Espíritos disseram e mais, ao que seria para vislumbrarmos, ante as definições que deixaram.

Já que é preciso, por hora, vestir o pensamento com palavras, processo em si mesmo condicionador e limitador, ao menos que possamos entender os reais significados das palavras, para podermos usá-las em suas dimensões reais, normais ou reduzidas, com consciência do que fazemos e do que queremos dizer.

Assim, a palavra inteligência em sua aplicação ampla, representa todos os processos íntimos de ser dos Espíritos. Desenvolver-se, adquirir conhecimentos, expressar-se, viver, são reflexos disso que estamos nomeando genericamente de inteligência. Especificamente: escolher, decidir, entender, agir, pensar, sentir, raciocinar, memorizar, criar idéias / objetos... são aspectos ou funções dessa inteligência.

O pensamento, segundo os Espíritos da Codificação, é um atributo da inteligência. O que invalida entendimentos precipitados de que o pensamento significa a inteligência ou até o ser inteligente.

Certamente é preciso cuidar bem dessas maneiras de pensar, já que pensamentos criam atitudes e estas, desapercebidamente condicionam, geram hábitos de agir e reagir, e dificultam o crescimento mental.

Se o pensamento é um atributo, obviamente é uma parte da inteligência. O que explica estarmos pouco a pouco provando que não é possível reduzir tudo ao pensamento e que este não consegue abranger tudo o que a ela diz respeito. Aprofundando: o pensamento é sempre o passado ou seja, aquilo que já sei, já consegui entender ou abranger e, mesmo assim, ele é limitado pelas palavras e pelo quanto eu entendo das palavras que uso e das idéias que expressam. Tanto que, quando quero realmente entender algo, preciso eliminar o hábito da interpretação ("traduzir" conforme penso / conforme meus valores) e abrir-me para perceber o que há por trás das palavras ou situações. E quando ajo assim, não uso o pensamento e sim a percepção; se bem que logo visto-a com pensamentos e palavras, o que sempre a limita, reduz e nubla. E isso, todos já sabemos que acontece, pois a percepção é muito mais ampla e profunda do que posso expressar com pensamentos e palavras...

Portanto, pensar é um atributo da inteligência. Perceber é outro. Intuir, sentir, sentimentos, emoções, percepção... são outros atributos. Costumamos reduzi-los todos ao pensamento. Achamos que tudo é pensamento... Mas chega a hora de distinguir essas capacitações, essas manifestações diferentes e complementares, de nossa inteligência.

Afinal, às portas do terceiro milênio, todos os caminhos levam ao Espírito, numa desmistificação gradual de papéis dados ao corpo, ao perispírito, à genética e ao cérebro, mas que não passam de reflexos das condições, decisões e ações do ser inteligente da criação: nós, os Espíritos, usando dos recursos pessoais e materiais de que podemos dispor, na conformidade com nosso grau de desenvolvimento, maturação e discernimento.

É na apreciação das diferenças que se assenta a fraternidade.

Emancipar-se é retomar o poder que é seu, tirando a ilusão de que está nos outros, e enfrentar a sua verdade.

Se quer se preocupar, prenda-se aos fatos, baseie-se na realidade e não na fantasia.

Ao conversar, fale só o positivo. Reprograme-se mentalmente para valorizar e viver melhor. Você estará influindo nos outros para diminuir a maledicência e a postura negativa ante a Vida.

CURSO de PRINCÍPIOS DOUTRINÁRIOS do ESPIRITISMO
CPDE - O necessário diferencial para o entendimento espírita,
no terceiro milênio!

Desenvolvendo a boa vontade
Rita Foelker

Lázaro, o Espírito autor da comunicação intitulada "A afabilidade e a doçura" incluída por Kardec em "O Evangelho Segundo o Espiritismo", começa dizendo que a benevolência para com os semelhantes é fruto do amor ao próximo, e que se manifesta na afabilidade e na doçura, desde que sejam sinceras, nascidas no coração, e não pinceladas como uma camada superficial de verniz.

Gostar das pessoas, aceitá-las e compreendê-las como são deve ser um dos desafios mais difíceis neste nosso momento evolutivo. Provavelmente por isso, pelo fato das pessoas serem como são e, não, como desejaríamos, é que nos tornamos tão irritadiços, rudes, mal humorados em certos momentos, vivendo o sentimento oposto àquele ao qual Lázaro nos convida.

Uma das causas freqüentes de nossa falta de boa vontade com algumas pessoas, inclusive muito próximas de nós, é nosso apego a idéias de como as coisas e as próprias pessoas deveriam ser. Temos um sonho a respeito de nossos pais, cônjuge ou filhos ideais, sobre como nossos colegas deviam nos tratar, sobre o carro que queríamos dirigir e a casa em que sonhamos morar, de modo que, quando o panorama geral de nossas vidas contém muito pouco ou nada do que planejamos, sentimo-nos praticamente no direito de sermos ruins, amargurados, deprimidos.

Não é raro que a vida esteja muito diferente do que programamos, mas não quer dizer que esta vida que temos não seja boa. Ninguém tem uma vida totalmente ruim, mesmo que difícil, e mais facilmente identificaríamos as bênçãos se parássemos de sofrer com nossos devaneios para encontrar a alegria da vida real.

No que se refere às pessoas, não existe um ser humano que não tenha uma qualidade. Pode ser uma que não vemos, porque estamos procurando aquela que melhor nos serviria, que mais se encaixaria no nosso sonho. Há pessoas que carregam pesados fardos de revolta toda uma existências, porque seus pais não foram o seu ideal de pais. E, ainda por cima, culpam estes pais por não terem sido como desejavam, o que é uma atitude comum.

Culpar o outro por não ser do jeito que eu quero é um absurdo, que nos faz descarregar nossas frustrações sobre ele e transformar a vida dele (que nada tem a ver com nossos delírios) numa vida horrorosa.

Seria muito mais fácil desenvolver boa-vontade nos relacionamentos, se não tivéssemos tantas projeções de paraísos ocupando nossa mente. Parar de criar fantasias, viver a realidade das pessoas e situações como elas são gera uma atitude íntima de aceitação e benevolência, sem cobranças nem frustrações, que nos faria grande bem.

Raciocine comigo: que vida é esta, a "vida boa" com que sonhamos? Um dia ouvi o Gasparetto dizer que ela é apenas um delírio, feito de fragmentos de vidas de pessoas que imagino que vivam bem, pessoas que parecem felizes e completas nos momentos em que as observávamos. Mas o que sabemos de fato sobre o todo, sobre o que acontece com elas nas vinte e quatro horas do dia? Sobre seus pensamentos, vontades, desafios, família, saúde, afetos?

O mais provável é que a vida com que sonhamos nem exista. Em vista disto, resta-nos a realidade. E quanto mais apagamos de nossas mentes a fantasia, maiores chances de descobrir elementos de prazer a alegria espalhados na vida real. E haverá mais afabilidade e doçura em nossas palavras e gestos, tornando a vida muitíssimo mais agradável.


A grandeza de Kardec

Quanto mais fica claro que os tempos que vivemos abrem-se para um encontro da própria liberdade, do assumir-se, garantir-se, do reconhecer-se como ser individual, único e pleno de capacidades, criando assim, as condições pessoais de construção da harmonia e da felicidade, mais se admira Kardec.

Examinando atentamente, por exemplo, O Livro dos Médiuns, que é um guia para médiuns e coordenadores de reuniões mediúnicas, que grandeza! Indicando detalhes, circunstâncias, posturas, esclarecendo como agir, em nenhum momento ele nos limita, nunca determina que tem que ser assim ou assado, que a reunião deve ser de tal ou tal forma ou que quem a dirige tem que agir desse jeito...

Quanto os espíritas têm entendido mal e deturpado as instruções do Codificador! Quanto elas têm sido condicionadas pelo medo, pela ignorância, pela vaidade humana e pelos interesses dos inimigos do Espiritismo... negando a flexibilidade, o respeito e a grandeza que contêm.

Será que realmente estamos lendo o que está escrito nestas obras básicas? Ou estaremos lendo conforme o que está em nossa cabeça, em nosso desejo, em nossos costumes, em nossos temores, em nossos condicionamentos, em nosso autoritarismo, em nossa fragilidade...?

Reler, estudar, confiando que se pode penetrar além das palavras, além do que já pensamos, até mesmo sintonizando com os Espíritos da Codificação (por que não?), é uma boa providência, para aqueles que são espíritas para viver melhor e criar a verdadeira liberdade: a de pensar, sentir e ser.