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Coletânea de textos publicados no
Ano IV - Edição nº4 - Setembro de 2000

Impossível esquecer

Neste mês, três figuras exponenciais para nós, têm suas datas de nascimento:

  • Cairbar Schutel - dia 22;
  • Cosme Marino - dia 27;
  • Herculano Pires - dia 25.

Para os grupos que estudam a mediunidade aconselhamos a leitura atenta de: Médiuns e Mediunidades de Cairbar e Mediunidade (Vida e Comunicação) de Herculano.

Quantas vezes perscrutamos o espaço sideral!
Quantas vezes procuramos, lá distante, um sinal.
Há um amigo que me busca como o busco sem cessar?
Haverá um coração que pulsa p'ra me encontrar?
Olhando... fixando o pensamento
No espaço celeste, no firmamento
Subindo do corpo, n' alma
Uma doce e leve calma
Preenche o coração
E afirma, deixa a convicção
De que lá, oculto pela grandeza do universo
Alguém nos ama, e, em prosa ou em verso
Proclama, que na distância do espaço celestial
Há um local servindo de abrigo, de lar
Para um grande amigo, que vou reencontrar.

Constância

Como sabotar seu progresso pessoal
nos estudos espíritas

Estudar o Espiritismo é fundamental porque sendo ele uma filosofia de vida e uma ciência experimental, o que trás resultados comportamentais, não basta ouvir dizer, é preciso conhecer, analisar e experimentar os seus ensinos, para que seja possível entende-los e usa-los.

Mas o que realmente importa, não é saber detalhes, localizar páginas e nem falar bonito sobre tantas informações luminares. O que verdadeiramente importa, é saber usar o que se aprende, para que o papel libertador da Doutrina se cumpra em nossas vidas.

E aí está o ponto central de uma análise, que fazemos há tempos, na qual fica notório que estudar o Espiritismo não significa pensar como espírita, sentir como espírita, entender o mundo e viver nele, à luz do Espiritismo. Uma coisa é ter informações na cabeça e outra é tê-las na ação, n' alma.

Certamente esse artigo não visa exigir, cobrar, censurar comportamentos. Mas visa examinar o que vem acontecendo e trazendo infelicidade, formalismo e hipocrisia, para muita gente. E a"culpa" não é do Espiritismo.

Cada pessoa tem sua bagagem de informações, adquirida na sua história de vida, como Espírito imortal. Esse fato determina idéias, conceitos, formas de pensar e valores, que condicionam as razões íntimas de ser e agir. Verdadeiramente, esses pensamentos íntimos, mesmo que não percebidos, sobrepõe-se em nossos atos e decisões, mantendo-nos como sempre fomos, apesar de aprendermos coisas novas e boas. Você nunca se sabotou ? Essa é a razão...

O mesmo ocorre quando estudamos o Espiritismo. Esse cabedal determinante do comportamento individual, "cria" recursos, dribles, escapatórias, tão bem formatados, que não notamos o quanto fugimos da possibilidade do estudo mostrar aspectos diferentes e renovadores, o que poderia mudar nossa forma de pensar e, portanto, nossos atos. Ou seja, nosso sistema íntimo de crenças defende-se, podando a auto-observação.

Esse mecanismo de preservação da rotina mental é uma fora de se driblar, racionalizando. Pensa-se estar raciocinando ou examinando ou analisando, mas sem sair do mental. Ou seja, o estudo não passa para o campo da observação pessoal, e por mais que corra o tempo ou que se fale belamente sobre o assunto, ele não realiza sua função transformadora, libertadora. Tudo que é aprendido, modifica a vida. Por exemplo: a vida de quem passou a ter um refrigerador elétrico não é mais a mesma de antes. Então, porque passa o tempo e a vida do estudioso do Espiritismo continua a mesma de sempre?

Fechar os olhos para isso é até facilitar a sedimentação das idéias limitadoras e aprisionadoras, que já temos, impedindo a ação salutar do aprender. Mas também, criando uma insatisfação íntima, porque a vivacidade da alma está ocultada, impedida de vestir novos valores, fixada mentalmente nos tempo antigos e na rotina de ser, e não se envolve com um verdadeiro aprendizado à luz do Espiritismo. E muito menos com uma reavaliação, uma revisão do que se sabe, visando a contemporaneidade e a reciclagem de conceitos.

A pessoa se engana, e ao mesmo tempo sente-se superior e vazia...

Semente
Eliane Araujo

"Plantar uma idéia, ser pioneiro, ter coragem de ousar, de ser, de arriscar, de mudar uma situação, de fazer diferença, de ser semente.

Quando uma semente cai ao solo, ela pode escolher se irá nascer ou não. Caso escolha nascer, terá de romper sua casca ou proteção para que uma nova vida apareça.

É preciso determinação. Uma força que a impulsiona para a vida, para a luz, faz com que ela vá adiante e rompa as barreiras.

Somos sementes.

Sementes espalhadas pela vida, disfarçadas de gente.

Cada qual com seu caminho.

Algumas se transformam em cenouras. Vivem enterradas na terra e não enxergar a Luz.

Outras são majestosas árvores, que com seu crescimento, conseguem enxergar o horizonte, com uma visão mais ampla da vida.

A semente da vida está em nosso interior, cabe a nós a escolha!"

Fora ou dentro de nós?
/ Rita Foelker

"Trazer a Filosofia, a Ciência e a moral para dentro de nossas vidas, realiza, dentro de nós, significativas mudanças na forma de pensar e agir.

Observá-las à distância nos oferece a confortável possibilidade de colocá-las, e conseqüentemente o Espiritismo, fora de nossos corações, para que nos sirva quando se tornar conveniente, mas fique longe quando pretendemos agir e pensar como o Homem velho.

Porém, é preciso perguntar: onde viveria o Espiritismo, se não dentro de nós? Onde sobreviveria sem ser vivificado pelos nossos sentimentos e atitudes?

Espiritismo fora de nós é culto formalista e hipócrita, sem apelo à transformação.

Espiritismo dentro de nós é a bolota entranhada na terra, onde se nutre, para crescer e onde cresce para se tornar nutritiva.

É a orientação de nossos rumos, a segurança dos nossos passos, a suave expansão dos sentimentos a transformar a vida e as vidas afins, operando a sua função neste mundo.

Em que território estão alojados os princípios em que acreditamos, quando os abandonamos para atender à ilusão do egoísmo?

Letra morta. Livros amarelados. Salões antigos. Poeira e átomos a se desfazerem.

Onde os vamos encontrar quando os desejarmos de volta...?"

Qualidade de vida

Felizmente o mundo atual pede qualidade para todos nós, o que tem sido um grande impulso renovador e reconstrutor da sociedade, em suas variadas facetas. Pedir qualidade é pedir que sejamos melhores do que somos, o que tem sua validade como estímulo ao crescimento, mas que representa um sério questionamento: como ser realmente melhor, ou seja, como ser melhor por dentro?

A resposta, que não é uma receita miraculosa, está em observar como pensamos, como reagimos, como somos, intimamente. Quero dizer: como são nossos pensamentos íntimos? Sim, porque externamente, falando, nem sempre somos os mesmos que lá dentro, n'alma...

Isso não quer dizer, necessariamente, desonestidade. Pode muito bem ser um desconhecimento por falta de observação. Essa diferença entre o ser íntimo e o exterior é responsável por grande parte de nossa infelicidade, sobretudo quando esses pensamentos, conceitos íntimos, entram em ação e nos sabotam, exatamente nas situações em que precisaríamos mais confiança e segurança pessoais.

Como saber se esse é o seu caso? Observar-se, sem críticas, sem julgamentos, sem medo de ver e sentir como realmente você pensa e sente, lá no fundo d'alma. E depois? Depois é ir substituindo medos por confiança em si e na vida, pensamentos negativados por positivados, preconceitos por aceitação (o que não precisa ser gostar, mas entender que é assim), rigidez por flexibilidade, críticas por análises, lembrando que cada pessoa está em uma situação evolutiva e só dá o que tem... Enfim, é uma postura de eliminar, diluindo, pensamentos-pedras que só geram dor e desconforto, frustração e desânimo. Obviamente você saberá o que é preciso diluir. No passar do tempo, com o aumento da qualidade pessoal, irá percebendo outros e outros conceitos embutidos em você, que não são mais úteis e precisam ser substituídos por melhores, porque é o que você pensa, lá dentro de si, que o leva, ou não leva, a ser melhor.