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Coletânea de textos publicados no
Ano IV - Edição nº1 - Junho de 2000

ABAIXO A CULPA !

ESTE TEXTO NÃO SE DESTINA ÀQUELES QUE TÊM PREGUIÇA DE ESTUDAR UM ASSUNTO, NEM PARA OS QUE PRETENDEM TUDO JÁ SABER , NEM AOS QUE GOSTAM DE FICAR CONTAMINADOS PELO "VÍRUS" EU JÁ SEI, EU JÁ CONHEÇO E NEM PRA QUEM TEME, APAVORA-SE COM A POSSIBILIDADE DA EXPERIÊNCIA DE PENSAR DE FORMA DIFERENTE DAQUELA QUE LHES É FAMILIAR.


Estudando o tema Livre Arbítrio, em O livro dos Espíritos de Allan Kardec, acabamos por perceber que a culpa é algo que já pode ser deixado de lado, ou ir sendo deixado de lado, porque nosso entendimento amadureceu o suficiente para verificar o quanto cultivar ou guardar a culpa, cria problemas internos e impede a alegria de viver, que é responsável por um crescimento interior mais rápido, saudável e eficiente.

O raciocínio é apresentado da seguinte forma:

  • Todos possuímos arbítrio, o Livre Arbítrio, o qual vai sendo usado mais profundamente, conforme amadurecemos;
  • Inicialmente, nas fases primeiras de nossa existência como Espíritos, somos guiados por Espíritos mais desenvolvidos. Na medida em que vamos evoluindo, automaticamente vamos exercendo as decisões, opções, escolhas, e nos assenhoreando de nós mesmos.
  • A partir daí, vai havendo uma espécie de alternância de direcionamento na nossa existência, porque passamos a ter que decidir ante as influências variadas que recebemos, perante as quais somos livres para ceder ou resistir, mas que puxarão opções favoráveis ou desfavoráveis para nós mesmos. Assim, nos inclinamos ora para o que chamamos "bem",ora para o que chamamos "mal".
  • As escolhas, as opções, equivocadas ou más, que possamos fazer, sempre dependem de nossa vontade e do grau de discernimento que temos, no momento. O discernimento nasce do uso do livre arbítrio. Acertando ou errando vamos descobrindo como a vida funciona e discernindo o que é melhor para nós.
  • Torna-se, então, claro o absurdo que é culpar-se pelo que escolheu ontem, na medida em que ontem não existiam as condições que hoje temos. Chega a ser algo criminoso, condenar ou cobrar, de si ou de outrem, pelos aos atos passados. Pois, o que sabemos hoje, não sabíamos ontem. O que podemos hoje, não podíamos ontem.

Apesar da lucidez da análise feita, alguém poderá perguntar: é...mas, e aquilo que fazemos hoje, já sabendo que não é bom?

E a resposta é a seguinte: seja o que for que escolhamos hoje, mesmo repetir erros ou não perceber conseqüências do que já conhecemos, ainda assim, estamos apenas mostrando que conhecer não é saber e que saber não é fazer. Ou seja, a escolha demonstra o nível de maturidade real que temos, apesar das informações recebidas ou do desejo de acertar.

Sim, buscar melhorias é preciso. Estudar, estabelecer boas ligações espirituais, pensar um pouco antes de tomar certas decisões, trocar idéias com pessoas mais equilibradas, são procedimentos inteligentes e oportunos. Mas sempre sua escolha, decisão, opção, reflete seu estado íntimo e sua capacidade, no momento em questão. Ontem e amanhã são diferentes do hoje.

A culpa revela um mau entendimento sobre como você funciona e um alto grau de vaidade, pois a pessoa não se dá a naturalidade de errar, na soberba pretensão de ser infalível.

A culpa também tem o mau hábito de tomar para si toda a responsabilidade pelas reações das pessoas frente aos nossos atos, como se fosse possível dominar e controlar essas pessoas, para que sejam do jeito que nos interessa. E passamos a não ser nós mesmos, para evitar atitudes que não queremos enfrentar e para não nos sentirmos culpados. Como se a mentira e a hipocrisia trouxessem resultados bons .

É um equívoco imaginar que a culpa nasce da virtude, pois a virtude é parceira da naturalidade do agir e entende perfeitamente as variantes de nossa forma de ser, em cada etapa da vida, ciente de que ninguém dá o que não tem.

Analisar esse assunto na teoria e na prática, com cuidado e com espírito investigativo trará muita lucidez sobre como viver melhor e sem tantas "encucações".

Aceitar-se, sem ilusões e esconderijos, é o caminho para a felicidade. Porque só após esse inteligente auto-reconhecimento, sem condenações, baseado na compreensão de que estamos como podemos, hoje, mas amanhã estaremos mais maduros, é que nos desgruda de hábitos mentais indesejáveis, idéias limitantes e do medo de errar.

Cristina Helena Sarraf

Vida Dupla
Rita Foelker

"Quando considero a brevidade da vida, causa-me dolorosa impressão o fato de terdes como objetivo incessante a conquista do bem-estar material,ao passo que dedicais tão pouca importância,e consagrais pouco ou nenhum tempo ao vosso aperfeiçoamento moral, que vos será levado em conta por toda eternidade." Um Espírito Protetor - Cracóvia - 1861

Hoje em dia, muitas pessoas levam uma espécie de vida dupla. E os espíritas não são exceções.

Trabalhamos muitas horas de cada dia para o nosso corpo, que necessita de alimento, sono e abrigo. Porem é comum esquecermo-nos, nestes momentos da faina diária, de que somos mais: somos Espírito. Espíritos em evolução, com um propósito para estar aqui na Terra.

Vivemos, então, como se fossemos dois: atendendo as necessidades do corpo num período do dia, e as necessidades do Espírito, quando delas nos damos conta, noutra hora.

Mas chega um tempo em que percebemos que nos tornamos seres contraditórios, e pelo bem da paz íntima, vemos que é preciso integrar nossas duas vidas, a profissional e a espiritual, pois sem a consciência desta última, a outra parece esvaziada de significado e falta-nos serenidade nos desafios que o trabalho nos impõe.

Justamente quando pensava em escrever este texto, caiu em minhas mãos uma mensagem de André Luiz, chamada "Em torno da profissão". André faz observações muito interessantes, inclusive sobre como favorecer a chegada de clientes e como tratá-los, para que se tornem fiéis.

Uma das frases mais contundentes diz: Em tudo aquilo, na atividade que o Senhor lhe haja concedido, você está colocando seu retrato espiritual.O que nos faz pensar na profissão como uma das formas do Ser expressar aquilo que é, suas conquistas espirituais e as virtudes já trabalhadas, bem como todos os aspectos de sua personalidade que ainda carecem de burilamento.

Mas, como podemos criar em nós esta integração, em que nossos conhecimentos da vida espiritual não estejam distantes da nossa prática profissional?

Conseguimos pensar em algumas maneiras, e esperamos que você também encontre as suas:

  • Transformando o trabalho em algo espiritualmente significativo, ao servir à comunidade humana em que se está inserido, e também ao próprio aprendizado, desenvolvimento e melhoria da qualidade de vida;
  • Cultivando, junto aos colegas, um ambiente de aproximação afetiva, valorização e confiança mútua;
  • Mantendo a disposição de passar o dia a fazer o bem onde se encontre oportunidade, ajudando outras pessoas a fazer o mesmo;
  • Desenvolvendo competências e habilidades que nos permitam ser cada vez melhores e exemplificar;
  • Observando as chances de travar conhecimentos e bons relacionamentos que colaboram no processo de autoconhecimento, ao invés de só produzir, comprar ou vender objetos. O retorno financeiro é conseqüência de nossas atitudes e desempenhos, e não de nossa fixação por obtê-lo;
  • Há maior proveito espiritual em fazer nosso trabalho com alegria e leveza.

CURSO DE PRINCÍPIOS DOUTRINÁRIOS DE ESPIRITISMO CPDE - Edição 2000
O necessário diferencial para o entendimento espírita no terceiro milênio
Campanha anual/permanente de divulgação para o estudo de
O Livro dos Espíritos - lema 2000

Para não esquecer

Para você que quer ter seus conceitos espíritas em dia, revendo-os de mente aberta e limpando-os das mesclas que naturalmente vamos fazendo, até que possamos separar joio e trigo, aqui vai um lembrete: são os nossos pensamentos que atraem os Espíritos e a mediunidade nada tem a ver com isso. Atração, sintonia e ligação com os desencarnados, são decorrências do que pensamos, da forma como entendemos a vida e dos sentimentos que em nós predominam. Perceber ou até entender os Espíritos que se aproximam ou se ligam conosco, é fruto da mediunidade, que em cada pessoa está em um grau de desenvolvimento.

Fazer essa distinção é quebrar a continuidade de um grande mal entendido e mesmo de uma deturpação do conceito espírita da mediunidade, que tem servido apenas para confundir e criar temores.

A verdade liberta. Busque-a em O Livro dos Médiuns, cap.XVII - 218 e cap.XXI - 232.